
Rondonópolis, localizada no entroncamento das BR-163 e BR-364, é uma cidade polo com 72 anos de emancipação política. Reconhecida por sua economia pujante, apresenta valores de exportação na casa dos bilhões e uma renda per capita acima da média nacional. Com o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, atrás apenas da capital Cuiabá, e contando com três deputados estaduais, um deputado federal e um senador, seria natural esperar que sua força política se refletisse também na área da Educação Superior. No entanto, essa expectativa não se concretiza.
A Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), instituição que leva ensino gratuito e de qualidade ao interior, tem presença tímida em Rondonópolis. Atualmente, oferece apenas dois cursos ativos: Letras e Ciência da Computação. A luta para transformar o núcleo da UNEMAT em campus pleno é antiga, mas permanece sem avanços significativos. Essa limitação contrasta com a importância econômica e política da cidade, evidenciando a falta de prioridade do poder público.
Minha própria experiência ilustra essa realidade. Tive a oportunidade de cursar Direito em uma das duas turmas abertas na UNEMAT de Rondonópolis, graças a verbas parlamentares direcionadas. Foi uma chance valiosa, já que antes disso a única alternativa era recorrer a faculdades particulares com mensalidades inacessíveis para muitos. Infelizmente, essas turmas foram pontuais e não se repetiram, deixando inúmeros jovens sem a possibilidade de realizar o mesmo sonho.
Uma UNEMAT estruturada e fortalecida poderia transformar vidas. A cidade ganharia profissionais qualificados — médicos, dentistas, advogados, engenheiros — preparados para atender às demandas locais e regionais. Isso geraria mão de obra especializada, impulsionaria a economia e atrairia novas empresas. Afinal, investir em educação é investir em capital humano, em desenvolvimento social e em dignidade.
O poder público precisa reconhecer essa verdade. Não basta que a UNEMAT esteja “presente” em Rondonópolis; é necessário que seja protagonista, oferecendo oportunidades reais de formação. Em um estado que arrecada impostos altíssimos, não se trata de falta de recursos, mas de falta de interesse político. Transformar o núcleo em campus é uma medida urgente e estratégica para garantir que os filhos da região sul de Mato Grosso possam estudar sem precisar migrar para outras cidades.
Com as eleições se aproximando, cabe à população escolher representantes comprometidos com a educação. Rondonópolis não pode ser apenas um polo econômico; precisa ser também um polo de conhecimento. Somente assim a cidade poderá consolidar sua força política e econômica em benefício de sua própria gente.
(*) André Ávila de Castro é advogado e administrador, gestor em uma das maiores empresas de fertilizantes do país, defende que resultados sustentáveis nascem da união entre estratégia, segurança jurídica e valorização das pessoas
.



