
Realizado no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, eventos internacionais quase sempre são sinônimo de permissão para o uso geral e irrestrito (oral e escrito) da língua inglesa, independentemente de qual seja o idioma oficial do país-sede. E isso, of course, não acontece por mero acaso.
Com a COP30 – aliás, trigésima edição da Conference of the Parties* -, realizada em Belém (PA), de 10 a 21 deste mês de novembro, não tem sido diferente. Onde quer que os olhos e ouvidos brasucas e estrangeiros mais atentos podem alcançar, palavras ou expressões da English language podem ser vistas ou ouvidas abundantly. E o tópico/tema (chato, chatíssimo e repetitivo, para muita gente) tomou conta do rádio, do jornal, da televisão e da internet. Virou trend (assunto mais popular ou comentado do momento), como se diz hoje em dia.
Aliás, vale lembrar que a primeira COP aconteceu em Berlim, na Alemanha, de 28 de março a 7 de abril de 1995. De lá para cá, em três décadas, muito se debateu e muito dinheiro foi gasto, mas poucos avanços foram efetivamente alcançados nesse período. Na verdade, já são trinta anos do mesmo papinho, da mesma conversinha, da mesma mesmice. E a situação do nosso planeta e dos seus habitantes só piorou. A dúvida, obviamente, persiste: até quando esta novela ecológico-financeira vai perdurar?
Anyway, para ter uma ideia mais precisa da presença e do alcance da língua inglesa no evento em solo belenense, eu fiz o seguinte: na noite da quinta-feira, 13, eu digitei apenas “COP30” na barra de pesquisa do Google e, em seguida, cliquei em “imagens”. E eu posso lhe garantir que o resultado não foi nenhuma surpresa para mim, dear reader, ao ver que a primeira foto que apareceu mostrava a fachada do local que dá acesso ao evento, com os seguintes dizeres: (numa espécie de plataforma cravada no chão) #COP30; UN Climate Change Conference; November 10-21, 2025; e (na parte alta da frente da fachada do edifício central) United Nations Climate Change; COP30 Brasil Amazônia Belém 2025. Foto esta, a propósito, creditada à CNN (Cable News Network) Brasil.
Observando as demais fotos disponíveis, eu pude ver os mesmíssimos dizeres no púlpito onde o presidente Lula aparece discursando, bem como o tradicionalíssimo Welcome to #COP30 seguido pela tradução Bem-vindo(a) a #COP30. Este “a”, inclusive, aparece sem a devida crase. Um dos muitos vacilos da organização do evento, convenhamos. Algo para envergonhar o Curupira, mascote desta Conferência.
Em outra imagem, desta vez creditada à conta da COP30 no Instagram, aparecem os seguintes dizeres – somente in English, baby: main discussion topics, greenhouse gas emission reduction, climate change adaptation, climate finance for the global south, renewable energy technologies, biodiversity preservation e climate justice. Já na (sugestiva) parte de baixo, tudinho em português: Belém Brasil 2025; Governo Federal; Brasil União e Reconstrução. Well, well, well…
Resolvi, então, conferir o site oficial do evento em língua portuguesa: cop30.br. Nele, a primeira foto que apareceu estampava o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tendo ao lado dele um telão em que, dentre outras coisas, podia-se ler (assim mesmo, em letras maiúsculas e minúsculas)… COP 30 HEALTH DAY: Objective 16 – promotion of resilient health systems – launch of the Belém Health Action Plan.
Nele, ao passar o cursor sobre a seção Sobre a COP30, dentre outras opções, aparecem a Blue Zone e a Green Zone. Na seção Serviços, o item Catering e alimentação (com “a” minúsculo) chamou a minha atenção, seguido por Tradução e Interpretação (com “i” maiúsculo) logo na sequência. Por fim, na seção Imprensa, aparece o Media Center.
Ou seja, como já deve ter dado para perceber, a língua inglesa aparece abundantemente ao redor do espaço reservado à COP30, na ainda nossa Belém. Quanto aos demais idiomas, especialmente o espanhol, tão presente nos países vizinhos do Brasil, eles foram meros coadjuvantes nesse vespeiro humano em que a Conference of the Parties se transformou. Seja no passado recente, aqui e agora no Brasil ou futuramente na Austrália ou na Turquia no ano que vem.
* Traduzida no site cop30.br, seção Sobre a COP30, como Conferência das Partes.
(*) JERRY MILL é professor de língua inglesa, escritor e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis




Oh! Darling, um professor de língua inglesa e escritor, não leu as atas finais de cada reunião da COP30? Anyway is better dar uma checada nas atas da COP30 e ver que elas são publicadas em inglês e traduzidas para o idioma local de onde acontece aquele ano a COP30. A COP30 tem muitos desdobramentos, inclusive na área de preservação do que ainda resta. Não é apenas uma reunião pra inglês ver, é uma conferência para você engajar na proteção do meio ambiente, mas artigos sem fundamentos publicados por pessoas que se dizem intelectuais, mas não conseguem desenvolver uma raciocínio lógico em cima de uma ata de uma conferência, passa uma vergonha enorme achando que escreveu um artigo mas na verdade mais parece uma redação do ENEM