O uso excessivo do celular e seus impactos na saúde e educação

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(*) Ney Iared | (*) Shirlei Fernandes

Caros leitores! Esse assunto requer cuidado devido sua relevância e pelo fato de estar presente no nosso cotidiano. O uso exagerado das redes sociais, internet e celular é deveras preocupante. Esse fenômeno ficou conhecido como nomofobia, ou seja o temor irracional de ficar sem o seu celular ou ser impedido de usá-lo por algum motivo, tais como: ausência de conexão à internet ou mesmo bateria fraca ou furtado. Fato que remete ao pânico, ansiedade e angustia, com o avanço tecnológico, passar um dia inteiro sem o smartphone já é considerado enorme sacrifício para a maioria das pessoas.

Nesse início de milênio, muitos jovens estão cada vez conectados com o mundo virtual e o surgimento de novos celulares com a tecnologia estão presentes em suas vidas diariamente. Todavia, esse avanço tecnológico tornou atrativo, pois conecta o ser humano a diferentes lugares.
Hoje, a preocupação consiste em saber, se o uso do celular indiscriminado faria bem ou não, sabemos que todo excesso pode causar algum tipo de dependência nas pessoas. A praticidade e acesso na resolução de impasses e sua agilidade tem provocado com que as pessoas percam sua noção de tempo a frente das telas, o uso excessivo em se tratando dos jovens, pelo fato de estarem se desenvolvendo, gera impacto psicológico preocupante, acompanhado de sintomas como: privação do sono, ansiedade, problemas posturais, isolamento social, estresse, dor de cabeça, não trocar atividades da rotina, compromissos, irritabilidade, depressão, baixa produtividade, falta de atenção, redução de concentração, sonolência.

Especialistas recomendam que para obter um bom sono não usar o celular até altas horas da noite, prefira uma vida real mais saudável ao invés de uma virtual, não utilizar o telefone na hora da aula, durante a explicação do professor. Há que se considerar que o uso excessivo do celular causa distanciamento entre os próprios jovens, suas famílias e amigos podendo até interferir nos relacionamentos emocionais. A troca do convívio social pelo virtual prejudica, a comunicação comprometendo as relações entre pais e filhos, além de impactar na inserção do jovem acadêmico ao mercado de trabalho. O celular pode ser considerado um companheiro de todas as horas, mas quando o jovem o esquece, sente um vazio. Quando o perde entre em êxtase parece que está faltando uma parte do seu corpo. Hoje, dependente do celular, que ficar sem o aparelho pode ocasionar alguns transtornos.

Em tempos passados era necessário mais de um aparelho para realização de certas tarefas e funções, diferente de hoje que num único dispositivo móvel, concentra vários aplicativos, o que leva as pessoas a terem certa dependência tecnológica. O uso da internet no celular deveria servir para auxiliar o ser humano a realizar seus contatos, porém passou a ser utilizado como lazer e trabalho. Entendo que, na atual conjuntura educacional esse fenômeno medeia o processo de ensino e aprendizagem na universidade, aproximando o docente e discente, otimizando tempo e espaço para a interatividade, assim como a busca de novos conhecimentos.

Nesse aspecto, seu mau uso interfere negativamente na aprendizagem, desviando a atenção dos alunos, devido ao grau de atratividade, agravado pela geração imediatista que desconhece controle no uso do tempo, perdendo a noção de responsabilidade quanto aos espaços de utilização. Na verdade, hoje o celular está inserido em todos os espaços de nossa vida, na mesa na hora das refeições, igrejas durante um culto/missa, restaurantes, ambiente de trabalho, localização, trânsito, academia, universidade, passeios e lazer entre amigos. Essa falta de controle acaba refletindo no desempenho na escola, durante as aulas. Nota-se que a todo instante os alunos estão cada vez mais conectados à tela do celular mesmo durante as aulas.

Nesse cenário, o aparelho furta o maior ativo do mercado, a atenção pelos conteúdos, aplicativos e serviços acessíveis pelo celular. Para os jovens torna-se mais interessante acessar as múltiplas ferramentas do celular do que prestar atenção às aulas. Como reduzir impactos do uso exagerado do celular? Acreditamos que a melhor maneira é a ação coletiva, partindo do próprio indivíduo, a família e a escola. A parceria entre os alunos, pais e escola na busca de soluções e estratégias para inibir o vício é fundamental nesse processo. Cremos que isso se faz urgente promover ações que envolvam os jovens bastante dependentes dos celulares. É essencial “mudanças de estilo de vida e moderadas, reduções graduais ou dietas de mídia”.

O indivíduo deve assumir que possui dependência, bem como controlar o uso do celular restringindo as horas de seu uso, silenciando notificações pois elas interferem na atenção, procurar sair sem levar o celular, optar por atividades saudáveis e exercícios físicos em ambiente aberto, ter uma vida social presencial do que virtual, ficar atento às consequências físicas e psicológicas que o uso excessivo de celular pode lhe causar. Os pais devem estabelecer regras, ficar atentos a qualquer alteração comportamental, quanto ao uso do celular, estabelecendo normas como: restringir o uso do aparelho na hora das refeições, definir um horário para o uso do celular de preferência após a realização dos exercícios escolares e atividades domésticas, proporcionar atividades em família ao ar livre, manter um horário saudável para dormir e garantir uma boa noite de sono.

A escola pode colaborar equilibrando a aprendizagem com práticas utilizando tecnologias digitais e alternativas simples, promovendo a socialização nos trabalhos em grupo, utilizando outros espaços além da sala de aula, propondo regras claras juntamente com os discentes, quanto seu uso indevido, durante as aulas estabelecendo e promovendo uma relação de respeito mútuo. Nesse princípio, a tecnologia por si só não nos torna melhores, tampouco devemos permitir que ela nos torne piores, em suma, o celular é um forte aliado quando utilizado com sabedoria. Esse dispositivo móvel é uma ferramenta de aprendizagem quando utilizada de forma responsável, planejada, moderada e objetiva. Mas, a sua má utilização promove a mera distração, procrastinação, vício, ansiedade, abuso digital e veiculação de notícias falsas, etc.

Uma tecnologia de informação e comunicação que deveria proporcionar a interatividade, a pesquisa, a utilização de aplicativos ou alternativas para impulsionar a aprendizagem, acaba resultando em uma problemática de cunho social e comportamental. Enfim, os sintomas da nomofobia apresentados são: vício, ansiedade, estresse, insônia, depressão. Isto é, em decorrência de ficar sem acesso ao celular. Infelizmente, a intensa exposição ao celular reflete na redução da aprendizagem dos alunos, tornando um desafio imenso dos docentes em competir suas aulas com o entretenimento produzido pelas telas.

(*) Ney Iared Reynaldo, doutor em História da América, docente no curso de Graduação em Ciências Econômicas/FACAP/UFR. E-mail: [email protected]

(*) Shirlei Fernandes Iared Reynaldo, profa. Mestre em Geografia. E-mail: [email protected]

 

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