Quem nunca se arrependeu por fazer uma escolha ou tomar uma decisão sem ter todas as informações necessárias? Ou fazer uma escolha mental e ao ponderar pela lógica mudar de opinião, fazendo então a escolha errada? Lembro que na escola, quando ainda pairava a soberania absoluta das provas de múltipla escolha, isso era muito comum, principalmente entre os alunos que se dedicavam menos aos estudos.
O que parece evidente nesse caso é que relegamos o feeling a um segundo plano e tentamos racionalmente reunir informações que nos dêem segurança suficiente para tomar aquela decisão. Ocorre, no entanto, que essas informações não são suficientes para assegurar a opção escolhida embora coloque o nosso modelo mental em xeque e, na dúvida, preferimos escolher alguns sinais de racionalidade ao invés de sentimentos, que são representados pelo feeling.
De modo simples, o feeling está relacionado a um conjunto de sensações empregada nas nossas decisões e na capacidade perceptiva do ambiente em que estamos normalmente associados a aspectos experienciais das pessoas, recuperando informação não registrada de modo explícito, mas indelével no nosso cérebro e que determinados estímulos fazem despertar. A psicologia cognitiva é a ciência que estuda estes fenômenos.
Segundo alguns especialistas, ao não ter informação explícita suficiente para tomar decisão devemos lançar mão do feeling, mas devemos prestar atenção num aspecto curioso dessa relação entre a razão e o sentimento para melhorar a nossa assertividade.
Esse aspecto diz respeito a sentir-se bem com a decisão apoiada no feeling. Devemos nos sentir confortáveis, caso contrário, é como se estivéssemos fazendo algo que não condiz com a nossa percepção ou experiência.
É como se involuntariamente estivéssemos traindo o nosso feeling, levando mais em consideração os dados (embora ainda não sejam confiáveis no conjunto, por não serem suficientes), do que a nossa capacidade cognitiva de reunir as informações provenientes de nossas experiências.
De modo isolado, a questão central é conseguir tomar decisões levando em consideração dois aspectos centrais: experiência e contexto. De certo modo, podemos dizer que cada vez que eu tenho informações de menos o feeling começa a se tornar mais relevante, dado que leva em consideração a armazenagem atemporal e tácita de ocorrências diversas que devem ser relacionadas com o contexto do ambiente.
Por isso, visto de outro modo, devemos tomar o feeling como um elemento importante de decisão, mas principalmente quando não conseguimos reunir informações ou conhecimento objetivo suficiente para que elas sejam tomadas com grau de certeza suficiente para nos tranquilizar.
Com o ambiente dos negócios cada vez mais relacional, onde o futuro não está diretamente amarrado ao passado e sim está sendo inventado a todo instante, essa prática é cada vez mais difícil de utilizar. Não que os sistemas informacionais percam a importância, mas devem ser levados em consideração apenas parcialmente.
Uma estrutura prospectiva é tão importante como ter um bom histórico de conhecimento empresarial, uma vez que os dados retroativos nos dão a idéia de que o futuro sofre influência decisiva do histórico, quando na verdade, a dinâmica pode não obedecer exatamente essa lógica. O futuro é cada vez mais um alvo móvel.
Por isso, reunir informações e montar um repositório de conhecimento tem sido um papel importante na gestão do conhecimento, área em franca expansão nas principais empresas. Mas acima de tudo reunir e relacionar sistematicamente conhecimento tácito e conhecimento explícito ainda é o maior desafio dos gestores para a tomada de decisões e o desenvolvimento da perspectiva da inovação.
Boa semana de Gestão & Negócios.
(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É diretor de relações com o Mercado do IBG, professor e palestrante – [email protected]



