As histórias que herdamos também constroem quem somos hoje

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(*) Célio Sesti

Todo mundo tem uma história que começou antes de nascer. Às vezes ela está numa fotografia antiga guardada em uma gaveta. Em uma conversa de família na varanda. No nome de alguém que já partiu, mas continua presente nas lembranças. Ou nas histórias que nossos pais e avós repetiam quando a gente era criança e que, só muitos anos depois, a gente entende o verdadeiro valor.

Nasci e cresci no Birigui, em Rondonópolis. E como muita gente daqui, cresci vendo meus pais trabalharem, ouvindo histórias dos mais velhos e aprendendo que nada vem fácil. Aprendi cedo o valor do esforço, do respeito e da simplicidade.

Mas existe algo que me marcou profundamente nos últimos tempos. Recentemente, em um livro que resgata a história de Rondonópolis, com o título “Rondonópolis – MT: Um entroncamento de mão única” de Luci Léa Martins Tesoro, vi a fotografia do meu avô, Marcelino Gomes dos Santos, registrada entre as páginas que contam a formação da nossa cidade.

Pode parecer apenas uma imagem. Mas acredito que muita gente vai entender o que senti naquele momento. Porque todos nós temos alguém que abriu caminho antes da gente.

Um pai, uma mãe, um avô, uma avó. Pessoas que talvez nunca buscaram reconhecimento, mas que deixaram marcas enormes dentro da própria família e também na comunidade onde viveram.

Quando vi aquela foto, não enxerguei apenas meu avô. Enxerguei uma geração inteira.
Uma geração de pioneiros que chegou quando Rondonópolis ainda estava sendo construída. Gente que enfrentou dificuldades, trabalhou duro, criou família e ajudou a transformar este lugar no que ele é hoje.

E pensei em quantas famílias têm histórias parecidas. Quantas pessoas andam pelas ruas de Rondonópolis sem perceber que suas próprias histórias também fazem parte da memória deste município.

Hoje, casado, pai de 2 filhos, microempresário e mecânico automotivo. Minha vida é feita de trabalho diário e contato com as pessoas. E talvez seja justamente isso que me mantém conectado com minhas origens.

Porque o tempo muda muita coisa, mas algumas permanecem. Meu avô ajudou a construir Rondonópolis de uma forma que talvez ele mesmo nunca imaginasse. E rever sua história registrada em um livro me fez entender ainda mais a responsabilidade de honrar esse legado com humildade, trabalho e respeito pelas pessoas.

E talvez seja esse o maior ensinamento que herdei da minha família: nunca esquecer de onde vim, nunca perder a humildade e sempre confiar que Deus conduz cada passo no tempo certo.
No fim das contas, todos nós somos continuação de uma história. E às vezes basta uma fotografia antiga para lembrar que ninguém chega sozinho até aqui.

(*) Célio Sesti é rondonopolitano e neto de pioneiro

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