Solidão – O novo desafio pessoal e profissional

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21/5/2024 – Nº 737 – Ano 18

Não é segredo para ninguém que o grande objetivo para tudo o que fazemos na nossa vida tem como propósito a nossa felicidade. Talvez por isso faça tanto sentido a célebre frase da Margaret Lee Runbeck quando afirma que “a felicidade não é uma estação aonde chegamos, mas um modo de viajar”.

Como seres humanos e gregários por natureza, devemos lembrar que o convívio e a interação entre os seres da nossa espécie é algo inerente e um dos fatores fundamentais para que possamos manter essa perspectiva. Dito de outro modo, precisamos uns dos outros para sermos felizes.

É aqui que reside uma questão que, ao longo dos anos, tem ficado cada vez mais evidente: a solidão. A ponto de alguns autores e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) classificá-la como uma epidemia. Talvez você mesmo já tenha sentido seus efeitos, ainda que de maneira sutil, em algum momento de sua vida.

Alguns aspectos têm contribuído para isso. Dentre eles, as mudanças recentes nos padrões de vida entre nós, a urbanização contínua e crescente, a pandemia e até os novos modelos de estruturas familiares. Mas, há evidências de que o fenômeno começou já há algum tempo e está principalmente relacionado ao desenvolvimento da tecnologia.

Há algum tempo a solidão era vista simplesmente como uma condição pessoal, uma escolha comportamental sem grandes impactos na sociedade, mas agora está emergindo como mais um grande desafio de saúde pública que transcende as fronteiras do individual e se insere no coletivo.

Para termos uma ideia, segundo uma pesquisa americana, de 2003 a 2020, o isolamento social médio entre os cidadãos cresceu 17%. Outras pesquisas apontam que mais de 40% dos americanos, 36% dos brasileiros, 30% dos chilenos, dentre outros pesquisados, disseram se sentir sozinhos.

É importante lembrar que para compreender a extensão desse problema, devemos levar em consideração que ele não se limita ao aspecto pessoal, invadindo o ambiente profissional. Afinal, é no local de trabalho que passamos grande parte de nossos dias e não está imune aos efeitos da solidão.

Quase como um círculo vicioso, pesquisas demonstram que profissionais que se sentem solitários frequentemente experimentam uma queda em sua produtividade, são mais propensos ao absenteísmo e tendem a apresentar um desempenho inferior em comparação com seus colegas mais conectados socialmente.

Não é difícil de entender isso. Uma das explicações pode residir exatamente na nossa natureza social. Somos animais que progridem na interação e na colaboração uns com os outros. Logo, com baixo contato humano, privados ou não conectados socialmente, a nossa motivação, criatividade e o próprio bem-estar são afetados.

Obviamente que também há custos econômicos da solidão e que não podem ser subestimados. Segundo estimativas, alguns bilhões de dólares são perdidos anualmente devido ao aumento dos custos de saúde e à diminuição da produtividade no local de trabalho.

Mas lembre-se, é a felicidade das pessoas que mais importa e esta percepção deve servir como um alerta indelével de que a solidão é um desafio econômico e pessoal, mas que também exige uma resposta coletiva.

Por isso cada vez mais, importante empresários e líderes darem a devida atenção a ambientes de trabalho saudáveis e conectados, implementando políticas que incentivem a interação social entre colaboradores, a segurança psicológica e o apoio ativo à saúde mental de suas equipes.

Individualmente, cada um de nós pode contribuir se esforçando para atuar com empatia, boa-fé e ética. Pequenos gestos de bondade e compaixão podem ter um impacto significativo no combate à solidão, a melhora da qualidade de vida e a própria competitividade.

Devemos lembrar que a verdadeira conexão humana não pode ser substituída por likes ou compartilhamentos. É hora de reconectarmos uns com os outros e construirmos comunidades mais fortes e mais resilientes. Você pode começar cumprimentando seu colega genuinamente e talvez convidando-o para um café.
Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor, Talent Hunter, articulista e palestrante –[email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

 

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