O povo longe das praças

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situação da maioria das praças de Rondonópolis é mesmo de abandono. Elas não são mais usadas pela população e sim por moradores de rua e dependentes químicos, usuários de drogas lícitas como o álcool, como de ilícitas como a pasta-base e o crack. As praças devem ser devolvidas para o povo, mas ao mesmo tempo, o poder público deve buscar formas de ajudar quem nelas moram.

O problema das praças da cidade, mostrada em reportagem do A TRIBUNA em sua edição de domingo,  escancara dois fatores que não podem deixar de ser lembrados: os problemas sociais ligados ao uso de drogas – sejam estas lícitas ou não –, e, o abandono em que o poder público deixou as praças.

Hoje, muitas de nossas praças estão com a vegetação morta, calçadas arrebentadas e espaços desocupados e abandonados, com vidros quebrados, paredes pichadas e banheiros decadentes, falta iluminação na maior parte delas. Foi o descaso do poder público que deixou que as praças chegassem a esse nível de abandono. Esta gestão tem até tentado cuidar dos gramados e da limpeza, mas o trabalho não muda a situação que foi criada com o passar de anos de descaso.

Se, antigamente, as praças eram o ponto de encontro para as famílias, que as viam como espaço de lazer, hoje são o abrigo de dependentes químicos, local de tráfico de drogas e casa para morador de rua. Viraram a ‘dor de cabeça’ dos moradores que as circundam.

O problema das praças precisa ser finalmente enfrentado pelo poder público municipal, que por sinal, está promovendo um diagnóstico sobre todas as praças de Rondonópolis, mas deve ser enfrentado em suas duas faces. É preciso recuperar as praças, e, é preciso também recuperar as pessoas que fazem delas as suas casas, sempre levando em conta  direito e o livre arbítrio de cada ser humano.

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1 COMENTÁRIO

  1. Engraçado como o uso de praças no atendimento de suas verdadeiras funções está cada vez mais distante em várias cidades brasileiras. A praça teoricamente é lugar de encontro, de se fazer amizades, de descansar do brutal labor cotidiano das cidades em movimentos estressantes. É lugar de deleitar a beleza ali exposta por meio de jardins com flores, árvores, etc. Pois bem, não é isto o que acontece em nossas praças, como bem assinalou este magnífico texto acima referido.
    Conheci e até escrevi um artigo científico sobre a Sociabilidade da praça Tubal Vilela no centro de Uberlândia – MG, onde a mesma realmente desempenha o seu papel designado. Lá há, por parte do Poder Público Municipal a responsabilidade de mantê-la atendendo suas verdadeiras funções, mas também, a população, por sua vez, desempenha o seu papel, qual seja, o de ajudar a cuidar da mesma. É uma praça extremamente linda e cuidada por todos. Isto sem falar que Uberlândia é muito maior que Rondonópolis. É preciso que haja compromissos de todos na manutenção, preservação e melhoria de nossas praças aqui em Rondonópolis.

    Aires José Pereira é escritor com 15 livros publicados, prof. Dr. do Departamento de Geografia da UFMT – Campus de Rondonópolis, Membro pesquisador do NURBA, GEGATO, membro efetivo da Academia de Letras de Araguaína e Norte Tocantinense e coautor do Hino Oficial de Rondonópolis, possuindo doutorado em Geografia Urbana pela UFU, Mestrado em Planejamento urbano pela FAU-UnB, especialização e graduação em pela UFMT – Campus de Rondonópolis.

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