
O deputado estadual Hermínio J. Barreto foi o representante de Rondonópolis a assinar o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Remédios na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. No entanto, o deputado vê que a abertura da CPI dos Remédios está muito difícil de ocorrer após a retirada de assinaturas de alguns deputados. “Vejo que será muito difícil abrir esta CPI, mas creio que a população precisa de respostas”, afirmou Barreto.
O deputado, mesmo sendo da base governista, deixou claro que é favorável à CPI devido o assunto se tratar de algo que atinge diretamente a população. Segundo dados da própria AL, 26 mil pacientes em todo o Estado foram prejudicados pelos remédios que venceram na Farmácia de Alto Custo do Governo do Estado. “Eu espero que as ações da Assembleia buscando abrir uma CPI sirvam para que o Governo aproveite e apure com todos os seus meios, inclusive pelo Ministério Público, a situação que levou ao vencimento dos medicamento. É preciso ir em busca de respostas para toda essa situação”, destacou Barreto.
O vencimento dos remédios que abastecem as Farmácias de Alto Custo dos Municípios de Mato Grosso, deixaram um grande número de pacientes, especialmente, aqueles que sofrem de doenças crônicas sem medicamentos.
Em Rondonópolis, conforme dados da Farmácia de Alto Custo, mais de 50% dos remédios que deveriam ser entregues para pacientes já devidamente inscritos não foram entregues no último mês de maio. Dos 121 medicamentos que fazem parte da portaria de remédios excepcionais, 66 estão em falta.
Os medicamentos da Farmácia de Alto Custo são fornecidos para pacientes com patologias específicas, que precisam ter os documentos renovados a cada três meses. A maior parte dos pacientes são doentes crônicos, ou em tratamento de patologias como o câncer, mal de Parkinson, epilepsia, entre outras, que não podem ficar sem medicação.
A CPI
A CPI dos Remédios, como passou a ser chamada na Assembleia, chegou a ter oito assinaturas, número necessário para que fosse aberta mas, na última hora, o deputado Airton Português (PR) mudou de ideia e solicitou a retirada de seu nome da lista da abertura da CPI. Restando apenas sete assinaturas, a CPI não pode ser aberta. Após a renúncia do voto de Português quanto à assinatura para a abertura da CPI dos remédios, o presidente da Assembleia Legislativa, Romoaldo Júnior, do PMDB, fez questão de afirmar que “em nenhum momento o governo interferiu na decisão de criação da referida Comissão Parlamentar de Inquérito”.
REPERCUSSÃO NA CÂMARA
O caso dos remédios também ganhou repercussão na Câmara Municipal de Rondonópolis, na semana passada, quando o vereador Rodrigo da Zaeli (PSDB) cobrou dos deputados que representam Rondonópolis que apoiassem a abertura da CPI para apurar o caso.
Na ocasião, o vereador afirmou ser “inconcebível” que o Estado permita que medicamentos vençam e que pacientes fiquem sem seus remédios. “Os responsáveis devem pagar por esta situação, por isso cobro uma atitude dos nossos deputados, que não estarão fazendo nada além daquilo que a população espera deles cobrando a abertura de uma CPI”, disparou.



