
Foi sepultada, na tarde desta terça-feira (13), às 16h30, no Cemitério da Piedade, em Cuiabá, Maria Benedita Martins de Oliveira – mãe do ex-governador de Mato Grosso Dante Martins de Oliveira. Ela morreu aos 104 anos na noite desta segunda-feira (12), mas a causa da morte não foi divulgada.
Natural de uma geração marcada por profundas transformações no país, dona Maria construiu sua trajetória em Mato Grosso ao lado do marido, Sebastião de Oliveira, com quem foi casada por 62 anos e teve sete filhos. A família se mudou para Cuiabá meados de 1962, onde se estabeleceu e criou raízes.
A matriarca acompanhou de perto a ascensão política do filho Dante, cuja atuação ganhou projeção nacional com a apresentação da Emenda Dante de Oliveira, que impulsionou o movimento pelas “Diretas Já”.
Ao longo dos anos, viu a casa da família tornar-se ponto de encontro de lideranças locais e nacionais, especialmente durante o período em que o filho exerceu mandatos como deputado federal, prefeito de Cuiabá, ministro da Reforma Agrária e governador de Mato Grosso.
Dona Maria Benedita atravessou um século de história com um vigor que impressionava a todos. Exemplo de superação, ela sobreviveu à pandemia de Covid-19 após vencer a doença em duas ocasiões. Mesmo com a mobilidade limitada e fazendo uso de cadeira de rodas nos últimos anos, nunca abriu mão da participação política.
O direito ao voto era sagrado para Maria Benedita. Mesmo décadas após o fim da obrigatoriedade legal, ela fazia questão de ir às urnas. Admiradora declarada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a matriarca chegou a ser homenageada por ele com um vídeo especial de felicitações quando completou 100 anos, em 2023.
Seu legado, porém, confunde-se com a própria redemocratização do Brasil. Ela foi o esteio familiar de Dante de Oliveira no momento em que ele se tornava um ícone nacional ao apresentar a emenda constitucional que mobilizou milhões de brasileiros pelo fim da ditadura militar.
A morte de Dona Maria Benedita gerou uma onda de comoção entre lideranças políticas e a sociedade cuiabana, que viam nela uma testemunha viva da história e um exemplo de lucidez e cidadania.



