“Terra Livre”: Fotógrafo local compartilha experiência em encontro que reuniu povos indígenas

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O fotógrafo rondonopolitano Cesar Augusto participou da 3ª edição do Acampamento Terra Livre de Mato Grosso, realizado no final de abril, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

O evento, organizado pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), reuniu representantes de dezenas de etnias para discutir políticas públicas e direitos dos povos indígenas no estado.

Segundo Cesar Augusto, cerca de 500 pessoas participaram do acampamento. “O evento contou com representantes de vários povos indígenas que habitam os três biomas do estado: Cerrado, Pantanal e Amazônia. Eu digo que Mato Grosso é um estado continental e tem muitas dificuldades, então nem todas as 43 etnias conseguiram comparecer devido às grandes distâncias e dificuldades de deslocamento”, afirmou.

O fotógrafo atuou como colaborador visual do encontro, com registros que foram entregues à Fepoimt e às comunidades.

“Meu trabalho consiste em fotografar o evento e distribuir as imagens aos povos indígenas. Eu trabalho com fotografias compartilhadas. É também uma forma de estabelecer contato com outras etnias de Mato Grosso e fortalecer laços”, afirmou.

As discussões incluíram temas como conservação ambiental, autonomia indígena e projetos de lei que impactam os territórios originários. “Houve uma audiência pública com a presença dos deputados estaduais Lúdio Cabral e Valdir Barranco, que ouviram as demandas das lideranças”, relatou.

Segundo ele, representantes dos indígenas apresentaram propostas e receberam orientações sobre como acessar políticas públicas.

Cesar destacou a participação da etnia Boe Bororo, das aldeias Tadarimana e Córrego Grande, de Rondonópolis, que levaram suas reivindicações ao evento. Para ele, esse tipo de encontro amplia a compreensão sobre a diversidade cultural do estado.

“Quando estou com os povos originários, fico despido de todos os meus conhecimentos e conceitos e passo a viver a realidade deles. Para mim é uma experiência incrível”, contou.

O fotógrafo já participou de outras assembleias indígenas e considera essencial que a legislação estadual reconheça a pluralidade do território.

“Os legisladores devem elaborar leis que contemplem essa diversidade de povos e biomas. As normas precisam atingir de forma prática essas comunidades. É importante entender que nós temos um leque de culturas nesse estado”, observou.

Cesar Augusto ressaltou sobre o papel social da fotografia e os objetivos como profissional atuante junto aos povos originários.

“Quero que minhas imagens e minha câmera fotográfica sejam instrumento de paz e de cobrança para que os povos indígenas tenham ainda mais respeito e que os seus direitos sejam respeitados. Esse é o meu trabalho dentro da fotografia e eu espero alcançar isso. Com o poder da fotografia, mostrar a cultura linda do nosso estado”, concluiu.

 

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