
.
Os Correios vão tentar, pela terceira vez, vender o prédio do “Correio Velho”, em Rondonópolis. O imóvel vai a leilão, novamente, no próximo dia 27, às 14h, e já é possível fazer lances para a compra. O prédio já foi a leilão duas vezes – em fevereiro e abril -, mas acabou não sendo arrematado.
O imóvel, localizado na Avenida Marechal Rondon, esquina com a Rua Poxoréu, no Centro, está avaliado em R$ 1.435.000,00, que é o valor da primeira oferta no leilão.
No entanto, o prédio está sendo ofertado em leilão público oficial sob a modalidade de lances sucessivos. Isso significa que, caso não haja lances pelo valor inicial, o preço será reduzido imediatamente durante o evento.
A segunda oferta é definida em R$ 1.334.000,00 e a terceira oferta, que corresponde ao valor mínimo de venda do imóvel, está definida em R$ 1.303.000,00. Conforme os Correios, o imóvel está atualmente desocupado, e possui terreno com 818,40 m² e construção estimada no local com 317,86 m².
.
O prédio da sede antiga dos Correios em Rondonópolis foi posto a venda em um lote com 21 imóveis para serem leiloados no Plano de Reestruturação dos Correios lançado em fevereiro deste ano.
.
Dados históricos
A sede do “Correio Velho” foi tombada pelo Decreto Municipal nº 10.957, de 18 de julho de 2022, que tornou o prédio patrimônio histórico e cultural de Rondonópolis.
Naquele mesmo ano, a prefeitura havia informado que negociava a compra do imóvel com os Correios, porém a efetivação da negociação não chegou a ser confirmada pelo Município até hoje. A intenção da prefeitura era a de preservar o prédio e transformá-lo em um espaço de memória.
Na ocasião, a Comissão Técnica de Tombamento do Município informou ao A TRIBUNA que o prédio que abrigou a sede do “Correio Velho” foi construído na década de 1900, sendo uma das primeiras casas comerciais construídas na cidade.
Posteriormente, serviu de depósito para as linhas telegráficas, utilizado pelo Marechal Rondon. O local foi então comprado pelos Correios, para onde a sede foi instalada, mas hoje está fechado.
.
UMA RELÍQUIA QUE VIROU PÓ
Em um texto publicado recentemente pelo A TRIBUNA, a doutora em História Social, Luci Léa Lopes Martins Tesoro, relata que o prédio da primeira casa de comércio em Rondonópolis foi construída por José Rodrigues dos Santos, em 1910, onde ele vendia a varejo para os moradores. Localizava-se na Avenida Marechal Rondon.
Com a mudança de José Rodrigues para Boa Vista, o prédio continuou sendo um armazém sortido, de propriedade então de Benjamin Rondon (engenheiro e único filho de Rondon).
Em 1922, com a instalação do Telégrafo em Rondonópolis, o prédio foi requisitado para o funcionamento dos Correios e Telégrafos.
Com o decorrer das décadas, conforme o relato da historiadora, o prédio foi se deteriorando, e enquanto os moradores e estudiosos pediam para que o imóvel fosse “Tombado” pela municipalidade, os administradores não entenderam o pedido e acabaram por demolir o prédio no ano de 2000.
.
“Essa foi a triste história do primeiro Correio, a mais antiga das relíquias de Rondonópolis de antigamente e que virou pó”, lamenta Luci Lea.
.
“Presume-se que, bem antes de 2000, os Correios vieram a construir no terreno da Marechal Rondon com entrada pela Rua Poxoréu um prédio para que pudesse funcionar os Correios. Outro prédio, porque o primeiro já não existia mais”, completa a historiadora.
.



