O assessor parlamentar João Paulo Lopes da Cruz, que era lotado no gabinete do vereador Ary Campos (PT), preso na manhã de ontem (30), durante a quinta fase da Operação Eclipse, e ainda ontem foi exonerado do cargo a pedido do parlamentar petista.
O suspeito foi uma das seis pessoas que tiveram mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil durante deflagração da operação que investiga um sofisticado esquema de lavagem de capitais operado por uma facção criminosa atuante na cidade de Água Boa, com ramificações Rondonópolis e Barra do Garças.
A operação foi coordenada pela Delegacia de Água Boa. Conforme as investigações, o grupo criminoso utilizava-se de uma fachada denominada “Vale Crédito” para mascarar a prática de agiotagem e lavagem de dinheiro.
Na ação, foram cumpridas um total de 18 ordens judiciais nas cidades de Água Boa, Barra do Garças e Rondonópolis.
Desse total, 14 foram mandados, sendo sete de busca e apreensão e sete de prisão preventiva. As outras quatro corresponderam a medidas cautelares, sendo dois bloqueios de contas bancárias e dois sequestros de bens.
Conforme a polícia, ao final, foram presas seis pessoas, dentre elas o assessor parlamentar de Rondonópolis. Além das prisões, os policiais apreenderam quatro veículos, considerável quantia de dinheiro em espécie, anotações de movimentações financeiras, aparelhos telefônicos e demais dispositivos que subsidiarão a continuidade das investigações.
Segundo o delegado responsável pela operação, Bruno Gomes, em Rondonópolis foram realizadas duas prisões. Outras duas ocorreram em Água Boa e mais duas em Barra do Garças. O delegado destacou que a operação tem um papel importante no combate às facções criminosas.
“Essa investigação busca ir no eixo central que mantém esses grupos criminosos, que é a parte financeira. Nossa investigação apurou que uma parte do grupo agia como factoring, emprestando dinheiro nas praças, inclusive para comerciantes dos municípios alvos da operação”, explicou Gomes. Com a ação, completou o delegado, “o propósito é ‘quebrar’ esse braço da facção”.
Estrutura do Esquema
As investigações desencadeadas pela Delegacia de Água Boa revelaram vasta rede de movimentações financeiras realizadas pelo grupo criminoso, voltadas à inserção e dissimulação de recursos ilícitos, principalmente provenientes do tráfico de drogas, no comércio de diversos municípios de Mato Grosso.
O “Vale Crédito” se apresentava como serviço de empréstimos a comerciantes, porém, na realidade, conforme a polícia, funcionava como mecanismo de infiltração de capitais ilícitos, mediante cobrança de juros usurários e pulverização de valores em contas de terceiros, dificultando o rastreamento e conferindo aparência de legalidade ao dinheiro da facção.
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As investigações comprovaram, conforme a polícia, que a atividade não possuía registro formal, sendo totalmente clandestina e coordenada por integrantes da facção criminosa, com divisão de funções e atuação estruturada em diversas cidades do Estado.
Exoneração de assessor
O vereador Ary Campos se pronunciou, por meio de nota, ainda na manhã de ontem, afirmando que não tem conhecimento das ações do seu quadro de assessores fora do âmbito parlamentar. Ele disse também que seu quadro de funcionários está dentro da legalidade das contratações.
Alegou que não possui vínculo pessoal com seus assessores e não tem conhecimento das atividades que cada um exerce em sua vida particular.
O gabinete enfatizou que a contratação de todos os assessores segue um rigoroso processo que exige a apresentação de toda a documentação necessária, incluindo antecedentes criminais e certidões negativas, e, que no momento da contratação, o assessor detido, assim como todos os demais, cumpriu a exigência de apresentar uma ficha criminal sem nenhuma pendência ou passagem pela polícia.
O vereador ainda reforçou que não tem conhecimento dos fatos que envolvem seus assessores além da porta do gabinete e que a responsabilidade sobre as ações individuais dos funcionários fora do ambiente de trabalho é pessoal e não se estende ao mandato parlamentar.
Na tarde de ontem, o vereador confirmou que fez o pedido de exoneração do suspeito, detido na operação, do cargo de assessor parlamentar externo.




