Reconhecimento: Obra de Paulo Pires em meio a grandes nomes do Brasil

Obras do rondonopolitano estão expostas ao lado de outras de artistas famosos, como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti

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Humberto de Campos, ex secretário municipal de Cultura, e Pedro Augusto Araújo, atual secretário municipal de Cultura, enaltecem o trabalho de Paulo Pires, ao centro, com a conceituada publicação (Foto – A Tribuna)

Três esculturas do artista plástico Paulo Pires estão no livro “entre(tempos): casa Zalszupin”, uma homenagem ao importante arquiteto e designer Jorge Zalszupin, cuja casa foi transformada em museu. E é justamente na casa museu que estão as obras do artista rondonopolitano: “Namoro na pedra” (que era do acervo particular do designer), que fica num móvel na sala, também está no interior a obra “Abraço em cores” e no jardim fica a terceira escultura: “Consolo de pedra”. As duas últimas de outros colecionadores.

As peças do escultor rondonopolitano são todas entalhadas em pedra de forma manual. A maior, que está no jardim da Casa Zalszupin, possui quase um metro de altura.

O processo entre o início da escultura às últimas tacadas no cinzel no arenito levam entre dois e três meses. As pedras são meticulosamente escolhidas por Pires na região do Campo Limpo ou no município de Poxoréu.

Para se ter a ideia da importância das obras de Pires, elas estão expostas ao lado de outras de artistas famosos, como Tarsila do Amaral (pintora modernista), Di Cavalcanti (também modernista), de Lasar Segall (que possui obras com influência modernista, impressionista e expressionista), além da literatura de Thiago de Melo. Em suma, dos 16 artistas com obras na casa, apenas três estão vivos e um único é mato-grossense, mais precisamente rondonopolitano.

O trabalho do escultor em pedras foi iniciado em 2.000. De lá para cá, foram 13 prêmios recebidos e suas obras foram entrando nas casas de colecionadores e apreciadores de arte. Hoje, há peças nos Estados Unidos e também na Europa. Neste ano, a obra “Terra e temperatura”, uma homenagem ao garimpo de Poxoréu foi exposta em Chicago.

A reviravolta na carreira do artista aconteceu há cerca de dois anos quando assinou contrato com a Galeria Almeida & Dale. Desde então, as vendas e exposição das obras de Paulo Pires são de competência dos profissionais da galeria. No mercado de arte, uma escultura grande em pedra pode valer mais de R$ 200 mil, valor que, é claro, não é todo do criador da obra.

Com a simplicidade de um homem do interior e a genialidade de um artista que vê na pedra dura todas as nuances de corpos que se entrelaçam, Paulo conta que só começa a entalhar as pedras quando elas conversam com ele.

 

 

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“Para que a pedra seja boa, ela precisa ser dura. Levo para casa as que acho que servem. Em casa, primeiro vem a água, dou um bom banho nelas, depois espero até elas conversarem comigo. Aí sim, começo a trabalhar. Fico beliscando, cortando ela. Aí quando vem a inspiração a obra vai criando forma”.

O interessante é que o artista alterna período de trabalho e de ócio. “Só mexo nelas quando sinto que estamos em sintonia, aquela coisa de inspiração”. O resultado é que da dura forma da pedra, surgem casais enamorados e grupos de pessoas abraçadas. Coisa de artista! “Para trabalhar preciso me sentir atraído pela pedra. Isso mesmo, atraído”, conclui.

A escultura “Consolo de pedra”, de Paulo Pires, que faz parte do acervo (Foto – Divulgação)

O olhar perspicaz de Zalszupin entendeu o que o homem do interior mato-grossense tinha a revelar através das pedras. E Pires acaba sendo eternizado ao lado de artistas consagrados por um dos gênios da arquitetura paulista, um polonês, que fugiu da Europa por conta da perseguição aos judeus e encontrou na Avenida Paulista o local ideal para tornar sua imaginação realidade.

Paulo agora aguarda os novos ventos, de novos tempos e também a bonança de estar entre o seleto grupo que consta nas páginas do livro e também na casa museu. Os amigos que o acompanharam na trajetória fazem questão de estar ao seu lado. O secretário municipal de Cultura, Pedro Augusto Araújo e o Humberto de Campos, que esteve na pasta.

“É muito importante para nós que somos da Cultura assistir o reconhecimento de um artista daqui em vida. Geralmente, o reconhecimento vem quando a pessoa já morreu.

No Casario e na Secretaria de Cultura do Município há esculturas de Paulo Pires, adquiridas antes da fama.

 

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