A inércia que representa

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(*) Ilson Galdino

Eu sou o Congresso,
ouço gritarias
porque sou inerte.
Ora sou o povo.
Ora represento o povo.

Ouço bravatas
e já ouvi até tiros,
mas nada faço
porque sou inerte.
Ora sou o povo.
Ora represento o povo.
Ouço dizer
que o tiro é a solução
e eles dizem
que é bom para os seus iguais.

Agora vejo…
Vejo que, para muitos,
até a mentira
se torna filantropia.

Vejo grupos bem-vestidos,
falantes,
uns se dizem inteligentes,
outros, incautos;
uns até incrédulos,
e outros fervorosos e piedosos.

Vejo
um futuro sombrio.

Vejo que os jovens
perderam o brio
no brilho da tela —
não aprenderam sobre o passado,
não sabem o valor
de quase nada,
nem dos direitos,
nem do respeito.
Perderam até o jeito
com o próximo
porque se tornaram fervorosos
na fé
que agora
não une os diferentes,
mas os segmenta.

(*) Ilson Galdino é advogado e servidor público municipal

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