(*) Brasilino da Silva
Ele quase levou uma e como nestes casos sem chance de defesa
Uma não 3! A vaca voou embaixo da focinheira bamba em pêlo
Berrando e babando como uma excelente mãe na defesa da cria
A outra foi assim; vaca caracu araçá nos pelos e sestrosa demais
Chifres abertos compridos pontiagudos e avermelhados de medo
Conduzida a pé por ser familiar, entretanto cismou à certa altura
Parou. Virou. Encarou. Bufou e partiu para o alvo com fúria cega
Ele lembrou que nestas horas em tese não se pode mover do lugar
Heroico no cara à cara com o que não se quer ver do rubem alves
E ela veio! E ele como convinha fez micagens… segundos eternos
Estas vacas eram mães
Como mães são eternas
Crias de filhos desiguais
De costume estranhou
Esfolado, mas escapou
A terceira alongada magra e nelore branquinha acuada até a temia
O zezinho em cima do jenipapeiro por sorte subiu e ela o esperava
Para pisar, mijar e cagar sobre o covarde forte candidato a cadáver
Zilhões de depois e sem o frescor da novidade ele entrou em ação
Novas micagens para ela: uma; duas; três… e cada vez mais de perto
Até que ela decidiu atender o intruso e veio com peso de 3 toneladas
Arrependeu-se. As pernas tremeram. Lembrou do dia em que nasceu
Cercando frangos disparou com velocidade de uma lesma estropiada
Passou embaixo da cerca e navalhas de macaco na gramaia espinhosa
Salvou-se por um triz. Triz não! Rangidos nos velhos arames farpados
Mas da quarta não escapou. O amore dele o chifrou por muitas luas….
À fio; de uma ao infinito
Assim como nas coxias
Ele foi o último a saber
Fazer o que?!?
Coisas da vida
Escaramuças…
Vieram os perdões e confissões recíprocas
E hoje são felizes como nunca tinham sido antes.
(*) Brasilino José da Silva é poeta em Rondonópolis.



