(*) Brasilino da Silva
Nunca vi um homem ou mulher de cabelos em pé
Gatos e cachorros até é fácil flagra-los arrepiados
Também já vi homens e mulheres ouriçados assim
Mas apenas nos pelos do corpo no passar da morte
Nos cabelos, cabelos mesmo nunca vi um ou uma
Mas o adagio garante que ficam de cabelos em pé
Basta um vulgar horripilante vindo em sua direção
Sapies e sapiens se arrepiam para parecer maiores
Mas ela disse
Não posso ir
Não hoje
Ele está de cabelos em pé
Paradigmas existem para ser perquiridos e cotejados
Nunca soube se aquele era um paradigma universal
Até porque regras universais simplesmente existem
Para ser superadas por um paradigma ainda maior
Atrás de serras tem serras dizia o velho moribundo
Nunca entendi nem o quis, mas fria ficou a espinha
Daquelas que fazem tremer e arrepiar de corpo inteiro
Aquele homem ficou de cabelos em pé no dia anterior
Quem contou foi ela depois de ler os búzios no xadrez
Das sinuosidades e vielas inocentes da noite anterior
Os cabelos se arrepiam
De medos imaginários
Inexistentes e simples
E se acalmam demais
Nas esbornias que não se cogitam.
(*) Brasilino José da Silva é poeta em Rondonópolis
.



