(*) Brasilino da Silva
Arara era aquele meu chegado assim
Andava em desalinho com o protocolo
Oitenta peões logo lhe rendera o nome
Na malandragem até fingia orgulhar-se
Arara outro era este vizinho meio longe
Andava bem e facilmente se arrepiava
Tête-à-tête ninguém se dignava; arara
Ele ficava arara e distribuía cangapés
Sendo araras eram iguais
Jovens homens, diferentes
Como as amarelas e vermelhas
Temperamentos distintos
Violas de outrem iguais
Reportagens de araras sorridentes em ikuia-pá
Esbanjavam felicidades morar em arranha-céus
Nem lhes faltava buritis dos antigos pantanais
Realizadas e felizes adornavam a cidade grande
Fizeram seus ninhos nas artificiais palmeiras
As imperiais plantadas que também morreram
Socorreram-se das quentes marquises e soleiras
Araras viam #: imprensadas em novos cantos
Outras araras lotadas de roupas usadas e novas
Bailavam nos ventos dos templos do consumo
Diminuição das penugens das araras sagradas
Prensam rituais sagrados de cozer espíritos e corpos
Pipocaram vídeos de araras felizes em quintais
Mendigando sementes ou folhas boas pela fome…
Calei e chorei com as araras na minha divagação
Araras na dança dos tempos
Como a Aguaçu do L. Passos
Tempos mudam e araras também
Ainda assim chorei e não pude falar
O que sentia.
(*) Brasilino José da Silva é poeta em Rondonópolis



