Socialismo ou Barbárie; Coronavírus e Racismo; 2ª Abolição

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Certa vez, uma jornalista norte-americana do jornal New York Times perguntou ao Filósofo Karl Marx o que aconteceria à sociedade caso o Capitalismo não fosse derrotado pelo então nascente Socialismo. Marx, então um dos maiores gênios da Humanidade, afirmou que não existira alternativa: ou haveria Socialismo ou, então haveria Barbárie.

Após da morte de Marx em 1883, na Alemanha do começo do século XX, Rosa de Luxemburgo, antes de ser expelida e morta, repetia o slogan “Socialismo ou Barbárie”. Vários líderes de Esquerda durante o século XX e início do século XXI, repetiram estas ideias enquanto o Capitalismo avançava e derrubava os aspectos de Socialismo nas democracias liberais.

Hoje, face à Pandemia do Coronavírus e à ameaça geral de Recessão, os questionamentos fundamentais de Marx parecem voltar à tona. Em outras palavras, a partir da suposta Globalização, depois da Queda do Socialismo Real (1983), não parece que a Humanidade caminha mesmo para a barbárie, numa sucessão de catástrofes ambientais, de epidemias/endemias, guerras, movimento crescente de refugiados, enquanto o Capitalismo se expande?

A História estava dando razão a Marx?

Mesmo sem realizarmos cálculos bem precisos, é possível concluir, ao apreciar a expansão da COVID-19 em nosso país, que são os negros os que vem sendo mais afetados pela Pandemia. E a explicação inicial nem exige grande conhecimento sobre o Racismo, pois é obvio, uma vez que a moléstia já está atingindo mais os pobres, e os pobres são em maioria negros (pretos + pardos). E, se a moléstia tende a crescer mais neste segmento, os negros provavelmente – e muito provavelmente, serão as principais vítimas. E já são: basta que observemos quem mais vive desempregado; quem é a maioria das empregadas domésticas que têm se mantido em residências que se tornaram mais densamente povoadas no período de quarentena da COVID-19; e, também, poderíamos nos perguntar qual é a cor da raça social predominante dos trabalhadores “informais”, camelôs, moradores de rua, passageiros dos ônibus das metrópoles e megalópolis brasileiras, que usam ou não máscaras. Em nossos dias, o Coronavírus parece contribuir para elevar o Genocídio da gente negra.

Os negros, que são os mais afetados pela tragédia socioeconômica e da saúde pública mencionada, não deveriam apenas lamentar que as medidas técnicas demoram a vir, e que são em parte pouco eficientes. Os negros deveriam observar tanto a negligência técnica quanto a negligência política como uma “tragédia anunciada” contra os negros e pobres do Brasil. Já se sabia do Coronavírus no Brasil desde antes do Carnaval, e se permitiu a sua eclosão assim mesmo.

Restaria, pois entendermos que somos a parte mais prejudicada, mais sofrida. Em boa hora, nós negros deveríamos recuperar a luta por uma 2ª Abolição, que nos inserisse de uma vez por todas na Nação Brasileira, superando os tristes quadros estatísticos, a pobreza, a miséria, as subnotificações…

(*) Pós-doutor Flávio Antonio da S. Nascimento é professor aposentado da UFMT e fundador do Movimento Negro de Rondonópolis-MT.

 

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns professor Flávio pela excelente reflexão por meio deste magnífico texto. Grande abraço.
    Aires José Pereira é professor e coordenador do curso de Geografia da UFR, coautor do Hino Oficial de Rondonópolis e possui 17 livros publicados!

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