
Se você está lendo essas palavras, isso responde muitas coisas além de que é alfabetizado e que se interessa por temas como este. Evidencia também que você sobreviveu a uma série de ataques de tristezas, angústias e, talvez, superou (ou supera) a depressão. Parabéns!
Estamos em mais um “Setembro Amarelo”, muito criticado por alguns profissionais pela rotulação de cores e isolamento momentâneo de campanhas de saúde que deveriam ser constantes e homogêneas. Estamos, também neste momento debatendo que tipo de curso político daremos ao nosso país por meio de nossos representantes, já que estamos em plena campanha eleitoral.
Refleti muito para escrever este artigo na tentativa de relacionar como a depressão tem a ver com a política e vice-versa. A começar por aquilo que tenho lido que é a mercantilização do bem-estar e essa tendência à neoliberalização arraigadas pelas sociedades ocidentais e que vem dominando mentes mundo a fora e Brasil a dentro.
Surgiu no meio dessa fusão de ideias e dados, inclusive, aquilo que Aristóteles afirmou sobre as características da genialidade do melancólico e suas relações de excepcionalidade na sociedade que, na minha autorreflexão, intercambiou um diálogo que se faz com a cultura pop nos dias atuais, o que agrava o entendimento da depressão como um caso de saúde mental.
São tantos os conceitos que não caberia nesse espaço opinativo e democrático cedido a nós. Por isso, preferi trazer elementos mais íntimos como embrião deste roteiro de pensamento.
Em menos de um ano tive um aluno que tirou sua própria vida e, recentemente, o irmão de uma aluna que teve igual fim. Choca a um professor tal desfecho, quando um dos sentidos dessa profissão é inspirar garotos e garotas para a vida plena, longa e próspera. Porém, a vida fora da escola segue dura.
Na escuta que fiz com família, ficou entendido que os dois jovens, além de motivos outros, partilhavam aparentemente de uma razão comum: o desemprego. Nesse sentido, faço um recorte da fala do filósofo Michel Foucault “a loucura é percebida através de uma condenação ética da ociosidade e numa imanência social garantida pela comunidade do trabalho”.
A pressão do mundo moderno traz consigo uma punição àqueles que muitas vezes não sabem lidar com situações pesadas como a crise econômica e social que atingem tantas famílias. Eis que a depressão surge sorrateiramente trazendo consigo o contrassenso, a improdutividade, já que se configura como uma doença incapacitante. É fundamental reconhecer a responsabilidade do nosso estado ao fomentar políticas públicas que encorajam o pensamento positivo e tragam efetiva dignidade à vida das pessoas e que, em decorrência disso, resgate a força e energia de jovens nesse contexto produtivo.
Até este ponto, o leitor pode questionar “mas tem gente que tem tudo e ainda assim comete suicídio”. Lembro que o assunto é muito mais complexo do que se pode imaginar e cada dia descubro algo a mais. No entanto, não se pode ignorar que o estado é o provedor e precisa assumir prioridades nas atividades de prevenção através dos programas de saúde mental e de iniciativas no tocante a nossa sensibilidade social que valoriza muito o emprego.
Um ambiente propício ao engajamento de jovens na escola, no trabalho, com políticas sociais inclusivas amenizam muito a euforia emocional e podem, sim, poupar vidas, além de trazer segurança e bem-estar. É necessária a plena manutenção da ordem cultural, econômica e também refletir nas pessoas, sem demagogia, que é possível prosperar.
Como cidadão, espero que ambas as campanhas, políticas eleitoreiras e de saúde preventiva, não tenham um fim em suas caixinhas temporais, mas que permaneçam enquanto ações constantes e que possam conversar entre si. A vida é valiosa e merece vigília.
(*) George Ribeiro é professor da Rede Estadual de Ensino, Porta-voz municipal da Rede Sustentabilidade, ativista socioambiental e poeta, membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9




George, parabéns pela publicação! A depressão atinge pessoas de todas as esferas, sempre foi maltratada, e junto com o alcoolismo, drogas, atingem perigosamente boa parte da população. Quando se houve falar da depressão de 1929, entendemos que foi uma crise financeira com consequências depressivas na população. É uma doença que precisa ser compreendida e cuidada com muito carinho e compreensão pelos órgãos governamentais, para que as pessoas que passam por este drama, possam superar o problema, se equilibrar e conviver na sociedade evitando consequências desastrosas.
Tenho feito muita reflexão sobre esse tema, e avalio que a falta de perspectiva do jovem, consequência desse caos que temos no país, onde, aliado ao desemprego, à baixa qualidade do ensino e do acesso a ele, o jovem vivencia péssimos exemplos de quem deveria zelar por ele, tanto familia, quanto sociedade, quanto Estado.