Com língua de palmo e meio
Pelejam contra mim.
Eu oro,
Ao som de trombeta e clarim.
Um ímpio,
Que julgado e condenado
Terá poucos dias,
Sua oração é um pecado.
Não haverá compadecimento.
Deixará viúva e órfãos.
Sem posteridade
Para continuar a perseguição.
Vestido de maldição
A penetrar na sua entranha,
E em seus ossos como azeite.
Andará como peçonha.
Vou-me sacudido como o gafanhoto,
Com os joelhos enfraquecidos.
Movem cabeças quando me veem.
Em breve ficarão confundidos.
Minha carne emagrecida,
Salva-me Senhor,
Segundo a sua misericórdia.
Para que saibam do seu amor.
Amaldiçoe-o,
Alegre o seu servo.
Vistam os meus adversários
Da vergonha do protervo.
(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6




