Vandalismo

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gabriel novis neves - opiniao - 27-01-12Vandalismo é, com certeza, a palavra mais usada pelas diferentes mídias nesses momentos de reivindicações históricas em nosso país. Condenável, por si só, traduz o sentimento de uma minoria, em seus propósitos de destruição de bens públicos e estabelecimento de um estado anárquico na sua essência.
Pessoas já há muito desvinculadas de qualquer sistema sócio-econômico que lhes dê suporte traduz toda a sua revolta em atos de anulação de tudo e de todos, já que se julgam nada mais tendo a perder numa sociedade que nada fez para evitar tamanha rejeição.
Evidentemente, a esses se juntam excluídos de todos os tipos, e até psicopatas violentos. Entretanto, é importante ressaltar que o poder estabelecido tem, através de seu desrespeito progressivo pelo cidadão, exercido um verdadeiro vandalismo sócio econômico e, por que não dizer, contra os nossos mais profundos sentimentos éticos e morais.
Tudo isso é nítido, ora através de corrupção desenfreada sem punição de seus infratores, ora com autoritarismo de suas classes dominantes, ora com orgia nos gastos públicos, ora com o descompromisso de seus políticos com as promessas de campanha.
Mais grave que tudo: o total desrespeito à nossa constituição, que promulga basicamente “saúde e educação para todos”. Nesse setor, os profissionais que trabalham nessas áreas têm os salários mais aviltados do país. Foram-se as máscaras que aparentemente seguravam a carneirada.
É preciso que se dê um basta a todo e qualquer tipo de vandalismo, vindo de onde vier, e creio que é o que estamos tentando fazer, aliás, com muita maturidade, já conscientes de que queremos viver em paz com normas sociais justas e a certeza de um futuro melhor para os que nos sucederão.
Momento de muita reflexão para a classe política, que com juízo e humildade, poderá levar o país para águas mais tranquilas através das reformas, há muito necessárias e postergadas a cada mandato.
Abaixo as manobras políticas arquitetadas ao apagar das luzes, visando apenas amansar a boiada, sem qualquer vínculo com os reais interesses da maioria da população, que parece ter sofrido uma politização abrupta nesses últimos anos de sucessivos desencantos.
A filosofia popular é perfeita quando apregoa que “em alguns momentos é melhor perder os anéis que os dedos”.

(*) Gabriel Novis Neves é médico e foi reitor da Universidade Federal de Mato Grosso

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