Nasci numa cidade à beira do rio Paraná, Santa Fé do Sul (SP). Cresci ouvindo o apito do trem e sonhando o que para muitos era um sonho impossível: ver a construção de uma grande ponte sobre o rio, ligando o Oeste paulista ao antigo Estado do Mato Grosso. No começo do Século passado, o visionário Euclides da Cunha já dizia que se essa ponte não fosse construída nos faltariam, decididamente, um grande engenheiro, um grande ministro e um grande chefe de Estado.
Tornei-me prefeito de Santa Fé e depois deputado estadual e federal por São Paulo. Ao lado dos saudosos Roberto Rollemberg e Vicente Vuolo – que com justiça empresta seu nome à Ferronorte – lutamos por mais de duas décadas.
Finalmente, em 1998, a grande ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná foi entregue ao tráfego, um investimento de R$ 500 milhões. A travessia precária por balsas, que poderia durar horas, passou a ser feita pela ponte, em apenas dois minutos, por trens, carros, ônibus e caminhões.
Hoje, a importância dessa obra única da engenharia nacional é ainda mais evidente. A partir da barranca do rio Paraná os trilhos da Ferronorte sangram o Centro-Oeste até Alto Araguaia, conectando a região com o Porto de Santos. Pelos trilhos passam 12 milhões de toneladas/ano de grãos, combustíveis e fertilizantes.
A ferrovia, tenho certeza, chegará Rondonópolis e dali levará o progresso sobre trilhos a todo o Centro-Oeste brasileiro.
Tive a honra de participar no último dia 20, na Federação das Indústrias em Cuiabá, do seminário sobre ferrovias e constatei que há, de parte do Governo Federal, total apoio à extensão dos trilhos para transporte de carga e de passageiros até o coração do Brasil.
É uma excelente notícia. O transporte ferroviário é seguro, rápido e muito mais barato, uma alternativa de progresso e integração nacional para um país de dimensões continentais como o Brasil.
A luta incansável da Frente Parlamentar das Ferrovias, da Federação das Indústrias, do governador Silval Barbosa e do Secretário Extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes do Mato Grosso, Francisco Vuolo, tornará realidade mais este sonho ferroviário, pois teremos o apoio da presidenta Dilma Rousseff, dentro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento.
A Carta de Cuiabá Ferrovias será uma de minhas plataformas de luta na Câmara Federal. Quero testemunhar cada passo do avanço da Ferrovia Senador Vuolo, de Rondonópolis a Cuiabá e daí a Lucas do Rio Verde (MT).
Num futuro próximo, espero ver os trilhos chegando a Santarém (PA) e Vilhena (RO), permitindo ainda múltiplas conexões e ramais.
O dia 20 de junho de 2011 entrará para a história do Centro-Oeste brasileiro como a data em que o Brasil, finalmente, acordou para a importância estratégica do transporte ferroviário.
Vamos à luta.
(*) EDINHO ARAÚJO é deputado federal pelo PMDB de São Paulo e membro-titular da Comissão de Viação e Transportes da Câmara Federal.



