A semente da mudança: a resistência a ordem estabelecida

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A característica da sociedade presente pautada pelo sentimento de incerteza é disseminar a lógica da radicalidade pessimista, derrotista de que tudo está em crise. Em se tratando da educação, parece que existe um coletivo da massa que a escola pública está sendo desfigurada na sua existência, não serve para nada.
A palavra de ordem que mais se ouve sobre a educação da escola pública  hoje é o coro insensato do:  baixo salário, péssima qualidade, violência, condição de trabalho precária, descompromisso, desinteresse, desrespeito, desmotivação, transferência de responsabilidade, não reprova, ninguém quer nada com nada, ausência dos pais, etc.
É evidente que estamos vivendo em um mundo de mudança profunda na dimensão social,  política e do conhecimento. Contudo, vale destacar que, a celeridade da mudança está sendo tão grande que muitos não estão conseguindo compreendê-la, tampouco adaptar à nova realidade. Por outro lado, a parcela que tem conseguido  adaptar ao mundo tecnológico e ao novo ambiente econômico, tem-se perdido no sentido da vida. E nesta nova dinâmica de vida, muitas vezes confusa, a corrida desvairada pelo sucesso tem gerado  “angústia, ansiedade, agressividade”, enfim,  desumanização e degradação da vida.
O fato real é que a vivência num mundo plural permeado pela diversidade sociocultural  sempre exige uma nova aprendizagem. O ato de aprender a conviver com as diferentes pessoas e grupos constitui uma necessidade fundante para uma compreensão complexa e rica da realidade. Dessa forma, para melhor compreender o que se passa na arena da educação na atualidade, nos diz Mo Sung (2006) que “precisamos nos educar permanentemente porque não só modificamos o ambiente com nossas ações, mas também porque o ambiente é uma constante criação nossa”.
Como a escola não é uma instituição isolada da cultura de seu tempo, mas uma instituição que pertence a sociedade, lógico, que ela também está em transformação. Aliás, o campo educacional como um todo, de certa forma, não fica imune a intempérie  que afeta a sociedade. Sem dúvida, que a mudança profunda que perpassa outros campos da relação da vida social tem impacto – negativo ou positivo- na prática pedagógica dos professores  desenvolvida na arena da escola.
Penso que no tocante a relação da sociedade com a escola, o desafio que se coloca hoje não é compreender a nova geração que se adentra ao seu espaço, enquanto sujeito da educação sistematizada, tanto no espaço do tempo, quanto da cultura, concepção e relação com outro eu, mas, sim  superar o desejo incrustado no imaginário  simbólico de muita gente que é espelhado na escola e família de outrora como algo de estático, mas que ser reproduzido no presente.
Para nós educadores e pesquisadores da teoria da educação, torna-se imperativo refletir sobre o sentido e significado da educação nesta nova configuração social para além da égide conservada moralista, saudosista e “normativamente ambígua” que desqualifica o novo que se aproxima da originalidade.
Na escola que temos, nem tudo é negativo como arroga os “anacrônicos” do presente. Acredito que a diversidade que compõe o substrato da escola é que constitui a riqueza humana. Logo, frente a nova ordenação é preciso pensar que a essência de uma instituição está em suas relações, por isso, que pensar a escola de agora, sem a sua dimensão política e finalidade social, sem a presença de um currículo  multicultural, heterogêneo, gestão democrática  vai  sempre produz  iniqüidade, desrespeito a dignidade dos alunos e professores.
A educação consubstanciada pela escola pública não acontece num espaço vazio, ao contrário, ela se desenvolve num “espaço e tempo” histórico. A escola se constitui num espaço de disputa de projeto que está sendo tecido e tensionado no seio dessa sociedade que estamos inseridos.
Com toda  a sua dificuldade de compreensão, contradição de espaço, prática, condição de trabalho, a escola pública, nesta sociedade em que vivemos, ainda representa um dos poucos lugares  que coletivamente acolhe, tolera, instrui, desafia e educa  as crianças. Então, por onde começar a mudança, pela a razão de ser do protagonismo do ensino público, garantido aos seus usuários, de modo particular os pobres, o que determina a nossa constituição e Diretrizes bases da educação, porque para eles a educação escolar de qualidade é um direito social fundamental  para a compreensão do mundo do trabalho, bem como para a configuração da cidadania na contemporaneidade.
Diante dessa realidade de desesperança, restam-nos, os pobres e os professores a esperança e a convicção da força coletiva de produzir na mente e corações de homens e mulheres o desejo de serem benfeitores da educação de qualidade social, visando transformação social que tanto necessita a escola pública.
Em se tratando do aluno, a escola tem a missão, delegada pela sociedade civil, garantido pelo estado, de oferecer uma formação que potencializa o desenvolvimento da capacidade de análise, a fim de que seja capaz de compreender o mundo do trabalho em que está inserido, visando construir novo conhecimento crítico e significativo para ordenação de sua existência. Pensar a educação na contemporaneidade significa pensar a pessoa humana na sua dimensão ampla, histórica, política, econômica, social e cultural.
Para finalizar, o que está acontecendo com a educação pública é que  como o professor de acordo o que preconiza a LDB  tem um papel significativo, de modo presencial,  na educação da nova geração, frente a sociedade contemporânea de cunho neoliberal que prima pela transformação de tudo em mercadoria, o fato do professor ganhar um caráter insubstituível no processo de educação no contexto da inclusão que respondam os desafios da diversidade, como destaca, Antônio Novoa (2009), a ordem estabelecida,  passou a submetê-lo a lógica da desconfiguração de sua identidade frente a demanda da exigência de produção de mão de obra para o mercado. O foco recai em desqualificar a qualidade da educação que prima pelo desenvolvimento da formação de sujeito que se engaje na luta pela constituição da cidadania e pela democratização da instituição pública. Desqualifica a escola pública, o professor, porém, não lhes oferecem condições econômicas, materiais e salarial a fim de que possa desenvolver a prática pedagógica que venha outorgar um salto qualificativo na educação.

(*) Ademar de Lima Carvalho é professor-doutor do campus local da UFMT

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