Rondonópolis retira quase 10 mil toneladas de lixo irregular em um ano; limpeza já custou R$ 4,5 milhões

Volume equivale a cerca de 1.500 cargas de caminhão; descarte reincidente ocorre inclusive nas proximidades dos quatro ecopontos da cidade

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(Foto: Mauricio Renner / GCom)

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A Prefeitura de Rondonópolis retirou aproximadamente 9,8 mil toneladas de resíduos descartados irregularmente entre julho de 2025 e julho de 2026.

O volume equivale a cerca de 1.500 cargas de um caminhão com capacidade para 6,5 toneladas. Na média, foram retiradas quase 27 toneladas por dia — mais de quatro cargas diárias — de áreas utilizadas como bolsões de lixo em diferentes regiões da cidade.

O novo balanço amplia a dimensão de um problema que também produz impacto financeiro. Dados divulgados anteriormente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária mostram que a limpeza, o transporte e a destinação dos resíduos custaram aproximadamente R$ 4,5 milhões em 11 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026.

As despesas envolvem a retirada dos materiais, a limpeza dos terrenos e espaços públicos, o transporte das cargas e o encaminhamento ao aterro sanitário.

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Média mensal ultrapassa 800 toneladas retiradas

Considerando o período de 12 meses, a quantidade recolhida representa uma média aproximada de 817 toneladas por mês.

A Prefeitura utilizou como referência caminhões do tipo toco, com capacidade de até 6,5 toneladas. Pela divisão do volume total informado, seriam necessárias aproximadamente 1.508 viagens com carga máxima para transportar todo o material.

Por isso, a comparação com “1.500 caminhões” deve ser entendida como 1.500 cargas ou viagens, e não como a utilização de 1.500 veículos diferentes.

O balanço financeiro anterior, que cobre 11 meses, representa gasto médio próximo de R$ 409 mil por mês com toda a operação de limpeza e destinação.

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(Foto: Ednilson Aguiar)

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Entulho está entre os materiais mais encontrados

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a maior parte dos resíduos encontrados nos bolsões é formada por entulhos da construção civil, móveis e eletrodomésticos sem condições de uso e restos de podas de árvores.

Também são localizados plásticos, papelão, sucatas e lixo doméstico, que deveria ser destinado à coleta regular realizada nos bairros.

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(Foto: GCom)

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O descarte dessas cargas em terrenos baldios, margens de vias e áreas públicas pode provocar acúmulo de água, proliferação de insetos e animais, mau cheiro, poluição do solo e obstrução de sistemas de drenagem.

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O secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária, Álvaro Fachin, classificou o descarte irregular como o principal problema ambiental enfrentado atualmente pelo município.

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Mais de 40 bolsões já haviam sido identificados

No início das ações de limpeza, em 2025, a Prefeitura informou ter identificado mais de 40 bolsões de lixo espalhados por Rondonópolis.

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Imagens publicadas pelo jornal A Tribuna evidenciaram o início das ações de limpeza que, na ocasião, acontecera nas proximidades do Ecoponto da Vila Paulista, que se transformou num verdadeiro lixão a céu aberto (Foto: Ednilson Aguiar)

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Uma das primeiras operações ocorreu nas proximidades do ecoponto da Vila Paulista, onde o acúmulo de resíduos havia transformado a área em um lixão a céu aberto.

O novo levantamento não informa quantos desses pontos conseguiram ser eliminados, quantos continuam ativos ou se novas áreas foram incluídas no mapeamento.

Segundo a Secretaria, muitos locais são limpos repetidamente, mas voltam a receber descartes pouco tempo depois.

“Esses bolsões são limpos inúmeras vezes, mas há reincidência do descarte irregular nestes mesmos locais”, pontuou Álvaro Fachin.

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Descarte ocorre até perto dos ecopontos

Parte dos bolsões está localizada nas proximidades dos próprios ecopontos disponibilizados para o recebimento gratuito dos materiais.

Rondonópolis possui quatro unidades:

  • no Residencial Paiaguás, na região do Mathias Neves e Dona Neuma;
  • na Vila Paulista, na área do antigo Clube Ipê;
  • no Microdistrito Industrial Anézio Pereira de Oliveira, na região da Vila Operária;
  • no Distrito Industrial, no início da Rodovia do Peixe.

Os quatro ecopontos passaram a funcionar também aos domingos em junho de 2025.

Atualmente, ficam abertos todos os dias, inclusive aos fins de semana, das 6h às 18h.

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O que pode ser levado aos ecopontos

As unidades recebem móveis e eletrodomésticos sem utilidade, como camas, guarda-roupas, sofás, geladeiras e fogões.

Também podem ser entregues:

  • restos de concreto e pequenos volumes de entulho;
  • gesso;
  • galhos e resíduos de poda;
  • papel e papelão;
  • plásticos;
  • metais e sucatas;
  • equipamentos eletrônicos;
  • madeiras e outros materiais domésticos inservíveis.

O lixo doméstico produzido diariamente nas residências não deve ser levado aos ecopontos nem abandonado em terrenos. Esse material deve ser acondicionado adequadamente e disponibilizado para a coleta convencional nos dias previstos para cada bairro.

Os ecopontos foram criados principalmente para receber materiais que não são recolhidos pela coleta domiciliar comum.

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(Foto: Maurício Renner / GCom)

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Multas podem ultrapassar R$ 4 milhões

Além das operações de limpeza, a Prefeitura afirma manter fiscalização nos locais com maior reincidência.

O descarte irregular é proibido pelo Código Ambiental de Rondonópolis. As penalidades são calculadas conforme fatores como tipo de material, volume, local atingido, potencial de degradação e reincidência.

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Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, as multas administrativas podem variar de aproximadamente R$ 2,3 mil a mais de R$ 4 milhões.

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Em uma autuação divulgada em 2025, um responsável pelo descarte irregular de resíduos recebeu multa superior a R$ 9 mil após identificação pela fiscalização municipal.

Além da punição administrativa, o responsável pode responder civilmente pela reparação do dano e criminalmente, conforme as circunstâncias do caso.

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Reincidência mantém pressão sobre orçamento

O gasto de R$ 4,5 milhões em 11 meses poderia ser direcionado a outras ações municipais caso os materiais fossem entregues diretamente nos ecopontos, segundo a Secretaria.

O valor não representa apenas a remoção do que está visível. A operação inclui equipamentos, mão de obra, carregamento, combustível, transporte e destinação final no aterro sanitário.

Enquanto os mesmos pontos continuarem recebendo resíduos depois de limpos, o Município terá de repetir as operações e manter recursos mobilizados para corrigir descartes que poderiam ser evitados.

A Prefeitura afirma que seguirá com o mapeamento, a limpeza e a fiscalização dos bolsões, ao mesmo tempo em que orienta a população a utilizar os quatro ecopontos.

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(Foto: Maurício Renner / GCom)

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