
Há manhãs frias
em que o cheiro do café
abre uma janela
que o tempo nunca conseguiu fechar.
De repente,
a gente volta a ser criança.
A bola correndo pelo quintal,
os primos rindo sem motivo,
a chuva transformando barro em aventura
e o mundo cabendo inteiro
dentro de uma tarde qualquer.
Depois,
a casa da mãe.
O café passado na hora,
o bolo sobre a mesa,
o abraço que curava
até o que ainda nem doía.
Naquele tempo,
ninguém imaginava
que as coisas mais simples
seriam as maiores saudades da vida.
Hoje compreendo:
a infância não mora no passado.
Ela vive escondida
no perfume do café,
no frio de uma manhã chuvosa
e naquele sorriso que nasce,
misturado com lágrimas,
toda vez
que o coração,
por alguns instantes,
volta para casa.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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