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Deputado federal Medeiros: “Sua candidatura ao Senado pode virar o pivô de uma crise no PL, que rejeita aliança com o MDB de Janaína Riva…”

1 – SENHORAS E SENHORES,

o caldeirão está fervendo no PL de Mato Grosso em meio às movimentações das suas lideranças para a disputa eleitoral do próximo ano. Enquanto a sua maior liderança nacional, o ex-presidente Jair Bolsonaro acaba de ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a articulação em Brasília do pré-candidato ao governo do Estado e senador Wellington Fagundes para garantir apoio do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, a uma aliança no pleito eleitoral do próximo ano com o MDB, agora presidido no Estado pela sua nora deputada Janaína, causou muita confusão nesta última semana.

A movimentação do senador na capital federal irritou os prefeitos das duas maiores economias de Mato Grosso, Abílio Brunini (Cuiabá) e Cláudio Ferreira (PL). Os dois, inclusive, foram a Brasília na quarta-feira passada para manifestar à direção nacional do PL suas contrariedades com esta possível composição.

Motivo: o MDB hoje liderado em Mato Grosso pela deputada estadual Janaína Riva, se articula para disputar uma das duas vagas ao senado em disputa na eleição do próximo ano.

ACONTECE

que o PL tem como pré-candidato ao senado o deputado federal José Medeiros. Apoiado pelos prefeitos de Cuiabá e Rondonópolis, Medeiros conta com a benção do ex-presidente Bolsonaro, que ainda é bastante popular no Estado, para tentar voltar ao senado Federal, onde lá esteve por quatro anos, após assumir a cadeira com a renúncia do ex-governador Pedro Taques, que deixou o cargo em 31 de dezembro de 2018 para comandar o Palácio Paiaguás. Medeiros foi suplente de Taques na eleição de 2014, quando era filiado ao extinto PPS do ex-prefeito Percival Muniz.

Nesta movimentação de Wellington para consolidar aliança com MDB da sua nora Janaína, o sonho que Medeiros acalenta há vários anos de voltar ao senado seria rifado.

Já que a ideia de Wellington, segundo se comenta nos bastidores, é ter ainda na chapa o governador Mauro Mendes (UB), que deve renunciar o mandato no início de abril do próximo ano para concorrer ao senado federal. E então passaria a ter três pretensos candidatos ao Senado para as duas vagas que estarão em disputa por Mato Grosso, no próximo ano. Um ficaria fora da disputa, e esse pode ser justamente o bolsonarista José Medeiros.

NESTA ALIANÇA DOS SONHOS

de Wellington Fagundes, de PL/MDB, o principal oponente que se articula para ir à disputa ao governo, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ficaria inviabilizada. O atrativo para levar Mauro Mendes para esta aliança, além do apoio da direita bolsonarista seria também garantir quatro anos de senador (caso Wellington ganhe a eleição para governador), para o seu fiel escudeiro Mauro Carvalho, que é hoje o suplente.

Só que tem um porém aí, Mauro tem um acordo de apoiar Pivetta para sucedê-lo. Pois é, entre o ideal e o real há uma grande distância e, como se diz no meio, “precisa combinar com os russos” e “em política não há segredo”, os planos de Wellington caíram nos ouvidos de Medeiros e dos prefeitos Abílio e Cláudio Ferreira, que rapidamente iniciaram um levante para barrar a aliança com o MDB, que o Wellington Fagundes estava costurando em Brasília com o seu velho conhecido Valdemar da Costa Neto.

Nessa conversa com Valdemar, onde se discutia o cenário eleitoral de Mato Grosso para 2026, segundo chegou até os ouvidos da Coluna, Fagundes teria mostrado pesquisas internas apontando Mauro Mendes e Janaína Riva liderando a corrida ao Senado e o nome de Medeiros estagnado, bem distante.

Contrariado, por mais uma vez ensaiar concorrer ao Senado e ver o seu tapete puxado, Medeiros acionou Abílio e Cláudio, que são contrários a uma aliança com Janaína Riva, pois querem apoiar ao Senado o correligionário e o governador Mauro Mendes para as duas vagas em disputa.

UMA ALIANÇA COM O MDB,

costurada por Wellington, atrapalharia este projeto de Medeiros e cia. Os dois prefeitos então rumaram para a Brasília, onde aproveitaram esta semana de um encontro municipalista para sentar com as lideranças nacionais e tratar das eleições gerais de 2026 em Mato Grosso.

Sem poder sentar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que só tem recebido visitas com autorização do STF em sua casa, onde cumpre prisão domiciliar, o jeito foi discutir o assunto com seus interlocutores.

TRATARAM FUSTIGAR JANAÍNA,

dizendo que é arriscado para os planos do ex-presidente de formar maioria no Senado, a partir da eleição do próximo ano, pois é onde são analisadas as indicações de ministros de tribunais superiores, além dos pedidos de impeachment.

Disseram que ela não é “confiável” para defender as pautas “conservadoras e direitas”. Além disso, ressaltaram que a emedebista atuou fortemente contra prefeitos eleitos pelo PL nas principais cidades de Mato Grosso, entre elas Cuiabá, Rondonópolis, Várzea Grande e Primavera do Leste.

Algo que poderia se repetir em 2028, caso seja eleita senadora, com Janaína lançando candidaturas competitivas contra o PL nos municípios.

2- DE VOLTA A MATO GROSSO,

na quinta-feira, Abílio e Cláudio, segundo se tornou público para a imprensa, trouxeram na bagagem a confirmação de “uma pessoa próxima de Bolsonaro”, de que os candidatos ao Senado em Mato Grosso serão José Medeiros e Mauro Mendes. E muito em breve, o filho do ex-presidente e vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, deve vir ao Estado anunciar a decisão do pai.

Com isso, uma aliança com o MDB estaria, neste momento, descartada em Mato Grosso. O apoio a Mauro Mendes já teria sido acertado lá atrás, quando ele apoiou a tentativa de reeleição de Bolsonaro em 2022.

Para comunicar a informação recebida de que o ex-presidente teria batido o martelo sobre a chapa ao Senado em Mato Grosso, Abílio e Cláudio se reuniram, em Cuiabá, na quinta-feira (11), com os correlegionários que administram Várzea Grande e Primavera do Leste, Flávia Moretti e Roberto Machnic, respectivamente.

O encontro contou ainda com a participação de Medeiros e do presidente estadual do PL, o ex-prefeito rondonopolitano Ananias Filho.

RESTA SABER

como o senador Wellington, que segundos os prefeitos deverá ser comunicado da decisão de Bolsonaro por Valdemar da Costa Neto, reagirá.
E se isso realmente se confirmar, isto é a dobradinha Medeiros/Mauro Mendes, na visão da Coluna, a possível candidatura a governador de Fagundes “subirá ao telhado”, ou seja, ficará ameaçada.

Mas, ainda é cedo, a eleição só no ano que vem e muita água deve passar por baixo da ponte e, como dizia o ex-governador mineiro Magalhães. Pinto: “política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

Ainda mais que é uma incógnita o que será do Bolsonarismo, que tem em Mato Grosso um dos seus principais redutos, após esta condenação do ex-presidente.

Os cientistas políticos se dividem. Enquanto uns veem que a prisão pode reforçar Bolsonaro como mártir, outros apostam na perda de fôlego do ex-presidente como líder de massas. Isso porque, assim como o lulismo, o bolsonarismo é força social bastante personalizada, sendo muito dependente da figura do líder atuando fisicamente, o que provavelmente estará impossibilitado de fazer, por cumprir a pena da condenação.

3- VOLTANDO PARA O NOSSO QUINTAL,

uma fonte soprou para este colunista que um dos assuntos que teria sido tratado na reunião dos prefeitos na capital com Medeiros e Ananias, seria a possibilidade da primeira-dama Alessandra Ferreira, que se movimenta para concorrer a deputada estadual, filiar-se ao PL.

Isto poderia embaralhar o cenário local da sigla, que já tem a vereadora Luciana Horta, eleita como a mais votada no pleito do ano passado, como pretensa candidata a uma cadeira na Assembleia Legislativa, inclusive sendo incentivada por Ananias e Wellington, que não morrem de amores pelo prefeito rondonopolitano.

ALIÁS,

um dos assuntos mais comentados nas rodas políticas na Terra de Rondon ao longo desta semana foi a postura de confronto adotada pela vereadora em relação à gestão do seu correligionário Cláudio Ferreira.

No Palácio da Cidadania a informação é de que Luciana Horta não é vista mais como uma parlamentar da base, mas sim de oposição, e como tal, deverá ser tratada a partir da agora. Luciana, por sua vez, se defende dizendo que apenas está cumprindo o seu papel de fiscalização.

Um outro assunto comentado foi sobre a situação do líder do prefeito Cláudio Ferreira na Câmara Municipal. Ibrahim Zaher é filiado ao MDB de Janaína Riva e do deputado Thiago Silva.

Os questionamentos ouvidos pela Coluna foram de como deve ficar a relação política entre os dois, pois enquanto o prefeito Cláudio Ferreira trabalha para evitar a aliança do PL com o MDB, ele precisa de Zaher para trabalhar a aprovação de projetos de interesse do executivo na Casa de Leis.

O vereador Ibrahim se encontra numa saia justa e, nos bastidores, os rumores são de que a relação entre o prefeito e o seu líder na Câmara já não é mais a mesma de tempos atrás, deu uma “esfriada”.

E FICAMOS HOJE POR AQUI,

aguardando os deslocamentos das nuvens pelo céu que encobre a Terra de Rondon. Até a próxima!

 

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