
Depois de dois meses da Prefeitura de Rondonópolis anunciar o início das operações da Autarquia Municipal do Transporte Coletivo (AMTC) na cidade, pouca coisa mudou para os usuários de quando o transporte público coletivo era ofertado pela concessionária Cidade de Pedra.
Para quem depende desse tipo de transporte, o pior problema está na quantidade reduzida de linhas, a demora nos deslocamentos e os longos intervalos entre os horários.
Os usuários destacam que a única melhoria desde que a AMTC assumiu a responsabilidade sobre o transporte coletivo são os ônibus que agora contam com ar-condicionado.
Neste sábado (3), no terminal de ônibus da Praça dos Carreiros, o de maior movimentação de Rondonópolis, usuários aguardavam há mais de uma hora pela chegada de ônibus. Neste período de tempo, conforme constatado pela reportagem, simplesmente, nenhum ônibus havia passado pelo ponto.
Uma das passageiras, Ana Rúbia contou que estava há cerca de uma hora esperando e reclamou que aos fins de semana a demora é ainda maior. Ela explicou que os ônibus mais novos e com ar-condicionado são uma melhoria importante, mas que o principal, seria o aumento na quantidade de linhas e de horários.
“Demora demais sempre e piora nos fins de semana. Se você tem que vir para o centro da cidade resolver alguma coisa vai ter que esperar horas no ponto”, disse.
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A quantidade de ônibus insuficientes, falta de linhas que atendam alguns bairros e demora para que os ônibus passem nos pontos também são problemas apontados pela moradora do Jardim Gramado, Conceição Imaculada. Ela disse que faz anos que o transporte coletivo está precário em Rondonópolis. “Não melhorou praticamente nada, porque está faltando ônibus”.

“Tem o ponto de ônibus, mas não tem ônibus que passa. Tem que aumentar a quantidade de ônibus. Colocar mais linhas para funcionar. A gente vai para o ponto e tem que ficar uma hora, uma hora e meia esperando. No Jardim Gramado nem tem mais ônibus que passam depois das 20h. Tem regiões próximas ao Pindorama, ao Jardim Tropical que nem ônibus passa. Muita gente não tem dinheiro para ficar pagando táxi, não tem outra condução e precisa dos ônibus”, reclamou.
Para quem depende do transporte coletivo diariamente para trabalhar, a demora e a quantidade de linhas reduzidas trazem ainda mais prejuízo. A moradora do bairro Alfredo de Castro, Jovair Irani, ressaltou que é preciso aumentar os horários e quantidade de ônibus.
“Eu tenho que sair todo dia às 5h de casa para chegar ao trabalho no centro às 7h. Se não sair neste horário, chego atrasada. Todos os dias. E fica ainda pior nos fins de semana e feriados, porque tenho que trabalhar nestes dias e os horários ficam ainda mais reduzidos. A gente sofre muito com ônibus. É pouco ônibus para o nosso bairro e nos sábados é ainda mais problemático. Praticamente a gente perde o dia todo por causa dessa demora dos ônibus”, lamentou.
A AMTC iniciou as operações em 1º de julho e o transporte coletivo passou a funcionar de forma híbrida com a Cidade de Pedra. Na realidade, o Município está fornecendo apenas os ônibus novos que estavam parados aguardando o início da prestação do serviço pela AMTC, tanto que o sistema de bilhetagem eletrônica utilizado é mesmo da Cidade de Pedra e as linhas e os horários dos ônibus não sofreram nenhuma alteração.
O transporte público coletivo é um dos principais problemas da cidade e que se arrasta há anos. A criação da AMTC veio como uma promessa de melhoria no serviço prestado e se arrastou por quase dois anos.




