
Sou um menino que joga pião no além.
Ele vai rolando como nave espacial.
Vai rolando… Rolando…
Como o rodar dos meus sonhos,
Nas noites amareladas,
De um luar encardido de poeira.
Sou um menino que solta pipas
Como as bolhas de sabão.
Sai voando como uma nave sideral.
Vai voando… voando…
Entre negras bolas de algodão.
Gingando no espaço,
Num sol encardido pela fumaça.
Da chaminé sai um rolo escuro,
Que vai rodando entre o céu e a terra
Como troncos.
Vai rodando… rodando… no espaço ozonal.
Furando… furando…
Prendendo a respiração de quem observa,
Na dor da natureza,
Do amor minguado.
Da lua encardida na noite
Do sol encardido de dia.
(*) Isaías Dias é poeta e romancista. Membro da ARL, autor do livro A Chalana Do Adeus. E-mail – [email protected].



