Pão, circo, urnas e goollllll!

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Assim que os cidadãos rondonopolitanos realizarem uma leitura superficial no título deste artigo, certamente dirão: novamente políticos e politiqueiros estão tentando nos impressionar. Porém, este artigo não tem a pretensão de atuar como instrumento de politicagem ou de formação de opinião, mas levantar questionamentos sobre a realidade vivenciada em todo o Brasil.

Vivemos diversos períodos em nosso “Brasil varonil”, perdemos a Copa de 1950 (que deixou profundas marcas no coração dos torcedores); vencemos a copa de 1958; vencemos novamente em 1962; mas sofremos com o duro golpe militar de 1964; e ainda neste regime fomos vitoriosos na copa de 1970; entramos na democracia em 1984. E, assim democráticos, fulguramos as vitórias nas copas de 1994 e 2002. As nossas vitórias em cinco copas reduziram o preço dos alimentos e equilibraram a distorção social existente?
Agora você deve estar pensando: o que tem isso com o pão e o circo? Tudo caro leitor, tudo! Porque nestes porvires da copa o brasileiro veste a camisa “verde e amarela” e, por vezes, se esquece de vestir outras camisetas, como a da ética, valores sociais, moralidade política e qualidade na saúde e na educação. Isto significa que, somos o país da copa, mas o que isto realmente pode significar para a população calejada com o esquecimento e a falta de estrutura em âmbitos essenciais da sua vida?
Até quando caro leitor, nós os “BRASILEIROS, COM MUITO ORGULHO E MUITO AMOR” teremos nossa saúde e educação sacrificadas em nome do “pão e do circo”, de uma pseuda felicidade nacional, apregoada aos quatro cantos pelos políticos e interessados em ganhar homéricas quantias em dinheiro, rebaixando o povo a um segundo ou terceiro plano. Somos o país da soja, do futebol e das estradas, e que estradas?!
Somos ainda, os detentores da tecnologia eleitoral! Urnas eletrônicas? “Made in Brazil”! Mas, somos também os detentores da moralidade política? Da dignidade pública? Da verdade social? Da fiscalização populacional aos recursos públicos? Quem realmente somos?
Infelizmente, constata-se cotidianamente que nós os brasileiros somos mais interessados na vida da “pensadora contemporânea” Walesca Popozuda (sim, Walesca com W), do que em nossa Carta Magna, ou seja, primeiro “beijinho no ombro” depois “Constituição Federal”. Estudamos em nossas escolas abordagens sensuais e até sexuais, mas, ética e valores morais, familiares e religiosos são continuamente rechaçados, renegados a ser “escória do aprendizado”.
Assim, todos os dias vivendo em no “clique automático”, levantamos, vamos para a faculdade (não significa que iremos para aprender algo, queremos o diploma), nos dirigimos ao trabalho (nosso interesse real é o salário) e, ao entardecer voltamos para nossas casas (não construímos mais lares) e sentamos diante da TV, com ares de “não gosto de política” sem nos interessar o que os próximos governantes dizem ou fazem. Ou melhor, desligamos a TV porque este horário político é insuportável. Quem somos nós? Que espécie de cidadãos estamos educando? Que exemplo damos aos nossos filhos? Até quando o PÃO E O CIRCO serão instrumentos capazes de “calar a boca” dos revoltados e deixar que sejamos dominados pela inércia da falta de interesse coletivo?
Enfim, vivemos em país de: “PÃO, CIRCO, URNAS E GOOOOLLL”, em que os cidadãos de posse de sua “gelada” em frente a TV, vivem vitórias que não são suas e esquecem rapidamente as derrotas, porque daqui a quatro anos tudo volta a ser como antes. E nós? GOOOOOOOOOLLLLLLL!

(*) Jennefer Araújo Vasconcelos e Neusa Haubert, acadêmicas do 5º semestre do curso de Direito da UNIC campus Rondonópolis

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