De afogadilho

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A presidente Dilma Rousseff está insistindo em fazer o plebiscito sobre a reforma política até o início de outubro deste ano para que passe a valer já para as eleições de 2014, sob a alegação de que está ouvindo a ‘voz das ruas’, no entanto, é preciso pesar muito bem se uma reforma política, formulada a partir de um plebiscito, pode ser feita, assim, às pressas. Será que o povo está preparado para responder questões tão complexas como as que envolvem a reforma política? Isso é algo a ser muito bem avaliado antes de ser posto em prática. E será que é isto que o povo que saiu às ruas quer?
A reforma política, aliás, era uma das bandeiras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou 8 anos no poder e não fez absolutamente nada para que ela fosse concretizada. A presidente Dilma assumiu também com essa bandeira, mas desde o início de seu mandato não havia nem tocado no assunto. E por que agora? Foram as manifestações?
Pelo que parece a presidente quer reverter o estrago na sua imagem com a realização de uma reforma há muito tempo cobrada. Mas até que ponto isso atende o que a população quer? São muitas perguntas ainda, e poucas respostas. O que se pode afirmar concretamente é que uma reforma política feita às pressas não é o mais ideal para o País.
A reforma política envolve questões complexas como o tipo de financiamento de campanha, seja ele público ou misto, o voto distrital, entre outras questões, que não se sabe se a população brasileira, em sua maioria, compreende bem para poder escolher. Deixar a decisão para a população é um ato corajoso da presidente, mas essa população precisa ser bem esclarecida com propagandas pré-plebiscito muito bem articuladas para que tenha uma base solidificada e possa fazer escolhas na reforma política.
Ocorre que esclarecer muito bem a população leva tempo, o que não haverá se o plebiscito ocorrer até o mês de outubro, como quer a presidente. É claro que a decisão cabe ao Congresso Nacional, mas…
O ideal é que a reforma seja feita com calma, para que a população possa realmente escolher com conhecimento que tipo de sistema ela pretende para o País. Neste contexto, seria conveniente uma melhor preparação para esse plebiscito.

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