E a bola que hoje rola
Na direção do gol rival
De cabeça, peito ou pé
Que seja na rede alheia
Disso o brasileiro tem fé
Se falta, leite, arroz ou feijão
Mas, espetáculo não falta não
Só precisamos de um bom maestro
Agora a batuta está com Felipão
A torcida só quer espetáculo da seleção
Não importa se com a barriga cheia ou vazia
Problemas na saúde, educação e na economia
Não dá para comparar com os gladiadores romanos
Na modernidade os atores ganham em milhões
E o povo? Isso é filosofia, o importante é a magia
Lá no Nordeste, chegaram atores da Europa e da América Latina
Já no primeiro dia elevaram suas vozes e reclamaram da sina
Muita chuva, buraco e sem uma arena apropriada, que agonia!
Se eles, artistas tão bem pagos estão, assim, descontentes
E o brasileiro que sacrificou, e agora não sabe se ri ou chora
Lá em Brasília, antes da protagonista rolar, a anfitriã quis falar
Com postura presidencial, do lado seu influente e aposto convidado
Ela, em salto alto e elegante, elevou sua voz no alto-falante
A diferença do passado, onde o povo calado sofria, fingia e ria
Agora, a surpresa veio de repente, uma estrondosa vai à presidente
(*) Jorge Manoel é jornalista em Rondonópolis



