Não te amo mais,
Deixa-me em paz.
Você foi apenas uma ilusão
Que brincou em meu coração.
A grande realidade,
Vou dizer toda verdade.
Não passa de criança mimada
Que ainda brinca na calçada.
Não sabe o que é amar,
E cala quando deve falar.
Tem tanta insegurança,
Mais parece uma criança.
Esconde o sentimento,
Se entregando ao fingimento.
Como engana essa beleza
Que não passa de incerteza!
Por fora um porte denso,
Por dentro um vazio imenso!
Dá valor à aparência,
Mal sabe da sua essência.
Não conhece tempo mau,
Para ela é sempre igual.
Ela chora sem incentivo,
Pra sorrir já tem motivo.
Eu não sei como é possível,
Acho até que é insensível.
Mas que serve lhe mostrar,
Como deve se portar.
Se ela passa adiante
E o olhar é sempre distante.
Mas quando estava comigo,
Tinha em mim mais um amigo.
É triste a amizade
Pra quem ama de verdade.
Hoje sou um estranho,
A saudade não tem tamanho.
Mas prefiro a solidão,
Do que uma eterna ilusão.
Vou procurar meu caminho,
Em busca de outro carinho.
Se encontrar a saudade,
Contarei toda verdade.
Revelei-me apaixonado,
Por isso fui desprezado.
É uma lição que fica,
Um exemplo que justifica.
Sou um homem marcado,
Pela sorte abandonado.
Enquanto a idade avança,
Aumenta a minha esperança,
De que no fim da estrada,
Encontre você, minha amada!
(*) Gilson Lira é escritor e poeta em Rondonópolis



