
A família de Ivanildo Silva Rocha, 25 anos, que morreu enquanto cumpria pena no presídio da Mata Grande pediu ontem, por meio do advogado Ronaldo Bezerra Santos, a abertura de inquérito policial para apurar as causas da morte do detento, ocorrida na terça-feira (28). O documento foi entregue na Delegacia Distrital de Vila Operária.
Segundo o pai de Ivanildo, o servidor público Evangelista Pedro da Rocha, residente em Jaciara, dois dias antes do corrido ele visitou Ivanildo e o filho alegou que não estava se sentido bem de saúde, com dores na nuca, sem conseguir se alimentar. Na ocasião, Ivanildo teria lhe dito que nenhuma providência havia sido tomada pela direção da unidade.
“Pela manhã do dia em que meu filho faleceu, eu e alguns amigos da família, preocupados com estado de saúde dele, fomos até a Mata Grande mas não conseguimos nenhuma informação e nem foi nos permitido visita-lo”, disse Evangelista Rocha que, ao lado do advogado Ronaldo Bezerra, procurou ontem o jornal A TRIBUNA para tornar o caso público.
Ele conta que, nesse mesmo dia, no período da tarde, recebeu um telefonema de uma pessoa se identificando como assistente social, onde a mesma informava a morte do seu filho. “O corpo foi liberado para o velório e sepultamento mas, nenhuma informação foi dada à família sobre a causa da morte dele, nem o que a direção do presídio fez para lhe oferecer atendimento médico. Na declaração de óbito, apenas consta que a morte foi por causa indeterminada. Agora, nós da família, queremos saber se houve ou não negligência”, repassa o pai.
De acordo com o advogado Ronaldo Bezerra, o correto quando há morte de um presidiário é a direção da unidade registrar um boletim de ocorrência, chamar de imediato a família e informar o acontecido. “Mas eles [direção do presídio] apenas informaram a morte do rapaz e não deram mais nenhum detalhe sobre o caso. Isso é o que nos chamou a atenção”, disse o advogado.
Conforme o advogado, Ivanildo estava preso há dez meses e, nos próximos dias, seria transferido para o semiaberto. “Ele chegou a passar pelo exame criminológico o qual atestou sua saúde. Além disso, tinha bom comportamento e era réu primário”, informou.
Ainda conforme Ronaldo Bezerra, Ivanildo foi preso acusado de tráfico de drogas. “Na época, ele foi preso em Jaciara, cidade onde possuía residência fixa. A polícia o prendeu porque a sua namorada estava com dez petecas de entorpecente”, conta o advogado.
OUTRO LADO
Segundo Agno Sérgio Silva Ramos, diretor da Mata Grande, está sendo aguardado pela unidade o último prontuário médico do atendimento de Ivanildo, feito no Pronto Atendimento. “Reunindo este prontuário com os outros que já temos em mãos, iremos esclarecer todos os fatos para a família. Não fizemos isso até agora porque ainda não temos todos os documentos em mãos. Enquanto esteve sob a tutela do Estado, ele recebeu atendimento médico. Inclusive, foi internado no PA do dia 19 de agosto e liberado no dia 21”, afirma o diretor.



