Mesmo com deficiência, aluno mostra superação nos estudos

- PUBLICIDADE -spot_img

Leia Mais

- PUBLICIDADE -
Joabe Tavares de Souza, de 38 anos, poeta, formado em História e agora cursando especialização na UFMT. Na foto, ele mostra um livro de poesias de sua autoria

Sem andar, sem coordenação nas mãos e com dificuldades na fala, Joabe Tavares de Souza, de 38 anos, vem mostrando, ao longo dos anos, que é possível superar os próprios limites e realizar grandes sonhos. Mesmo com tantas dificuldades, ele concluiu o ensino superior em História em uma universidade federal – a UFMT – e agora cursa uma especialização. No entanto, não pensa em parar. Sonha ainda em fazer o curso de Psicologia.
Nascido em Rondonópolis, em 1974, Joabe foi alfabetizado na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e somente entrou em uma escola regular aos 20 anos de idade. Começou a 4ª série na Escola Eunice Souza, no bairro Monte Líbano. Depois, mudou-se para a Escola La Salle, no bairro La Salle, onde concluiu o ensino médio. Na educação básica, diz que a grande dificuldade era a comunicação.
Joabe Tavares diz que contou muito com ajuda dos colegas de sala e professores na educação básica. Pedia para que os colegas copiassem os conteúdos para ele e, muitas vezes, os professores imprimiam o material. “Foi difícil. Aliás, a vida não é fácil… Mas sempre tive facilidade para aprender”, explica sobre a conclusão da primeira etapa dos estudos. Nesse sentido, explica que as suas faculdades mentais são normais. “As minhas limitações são físicas”, diz.
A mãe de Joabe, Maria Tavares da Conceição, lembra que a deficiência do filho começou aparecer desde a infância e foi aumentando gradativamente. Até hoje não foi diagnosticado ao certo o que aconteceu com Joabe. No entanto, a mãe acredita que a deficiência foi ocasionada durante a gestação que teve com grave anemia. Maria Tavares auxilia o filho nas principais necessidades básicas. Hoje ele conta com um monitor para auxiliá-lo nos estudos.
Após terminar o ensino médio, Joabe conta que queria continuar os estudos. “Queria continuar contribuindo com a sociedade de alguma forma”, externa. Apesar de querer Psicologia, não optou pelo curso, pois era em período integral. Optou por História, uma disciplina que sempre se deu bem. “Prestei o vestibular escondido da minha mãe. Passei em 27º lugar. Para mim, foi uma conquista, porque uma pessoa com todas as limitações que tenho conseguir alcançar o ensino superior era um sonho”, analisa.
Na graduação, a maior dificuldade de Joabe foi a ausência de qualificação dos professores para lidar com pessoas com deficiência. Inclusive, sua monografia de conclusão de curso foi nesse sentido. “Na academia existe uma competitividade muito grande para mostrar que um é melhor que o outro. Isso eu considero uma barreira”, opinou. No começo do curso, lembra que a maior parte do material de estudo era cópia e, no decorrer do curso, os professores foram digitalizando os conteúdos. Apesar de a UFMT ter avançado rumo à inclusão, atesta que ainda não é o ideal.
Joabe é pensionista da Previdência Social e recebe uma bolsa da universidade, mas diz que não é suficiente. Ele explica que paga uma pessoa para levá-lo à faculdade. Uma grande paixão de Joabe é a internet. Com os pés, consegue manusear o computador. Ele possui conta em inúmeras redes sociais. “Fico o dia todo na internet”, brinca. Também é poeta, tendo inclusive escrito um livro: “Minhas Poesias – Doce Palavra… Amor”. Contudo, lamenta o fato de ainda não ter sido “descoberto” nesta área ainda. Ele pretende escrever para o Jornal A TRIBUNA.
Poeta e historiador, Joabe diz que a vontade de viver o impulsionou a lutar, a quebrar barreiras. “Tenho uma vontade de viver imensa. Tenho conflitos pessoais como qualquer pessoa, mas a minha vontade de deixar algo que possa servir para alguém é imensa”, revelou. “Aprendi a lutar pelos meus sonhos, por aquilo que acredito, por uma sociedade mais humana, mais igualitária. Para isso, cada um tem que dar o seu passo. Cada um tem que lutar pelo seu sonho, pelo seu ideal, fazer um amanhecer diferente… Aí o sentido da palavra viver vai ser real”, deixa como mensagem.
A especialização que Joabe está cursando agora na UFMT é em História da América Latina Contemporânea. “A gente está estudando desde o processo de independência dos países da América Latina até a contemporaneidade”, argumentou. “Hoje eu ainda tenho vontade de fazer Psicologia, mas quero terminar o curso que comecei”, arremata.

- PUBLICIDADE -spot_img

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -
- PUBLICIDADE -spot_img

Mais notícias...

França repete 2022: Copa tem o seu primeiro semifinalista

.Em uma reedição de uma das semifinais da Copa do Catar (2022), a França derrotou Marrocos por 2 a...
- Publicidade -
- PUBLICIDADE -spot_img

Mais artigos da mesma editoria

- Publicidade -spot_img