
Entre as medidas para conter o avanço do coronavírus em Rondonópolis, os procedimentos eletivos, que são aqueles que podem aguardar para serem realizados, foram suspensos.
O intuito é evitar que pacientes nessa situação procurem hospitais e unidades de saúde neste momento de pandemia da Covid-19, evitando assim a proximidade com pessoas que estão sofrendo da patologia.
O Governo de Mato Grosso suspendeu esses procedimentos por prazo indeterminado, informando apenas que seriam reagendadas assim que a situação [pandemia] estivesse normalizada.
Já o Município, por exemplo, atendendo o Comitê de Gestão de Crise, suspendeu cirurgias eletivas de média complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS), exceto oncológicas e cardiovasculares, e as consultas eletivas e atendimentos regulares nas Policlínicas.
A suspensão desses procedimentos e do acompanhamento dos pacientes com médicos especialistas está causando um efeito cascata no atendimento SUS da cidade, “estourando” na falta de vagas em leitos de UTI para atender tantas pessoas que estão adoecendo. Essa situação foi relatada pelo A TRIBUNA na última semana, mostrando o déficit atual de leitos de UTI na cidade.
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Um exemplo é a Santa Casa de Rondonópolis, que está com os seus leitos de UTI para adultos e UTIs coronarianas ocupados, e comumente com pacientes na lista de espera por uma vaga.
O Hospital Filantrópico realizava, antes da pandemia, uma média de 25 a 32 cirurgias por dia (entre eletivas e urgência e emergência), algo que foi drasticamente reduzido.
“O déficit de leitos de UTI sempre existiu, é uma realidade nacional, mas estamos sentindo que a situação está se agravando. Na Santa Casa, nós chegamos a liberar leitos privados para atender pacientes SUS, para tentar atender toda essa demanda”, explica o vice-presidente do hospital, Sinésio Alvarenga.
O problema se dá pelo fato de pacientes não estarem tendo o atendimento necessário na saúde básica.
“Nós estamos vendo pacientes com hipertensão, que se não tratada pode gerar algo mais grave, como um AVC [acidente vascular cerebral]. Pacientes com diabetes descontrolada, situação que pode nem dar tempo de procurar o hospital. Então, a paralisação do atendimento ambulatorial e especializado tem gerado uma alta demanda por leitos de UTI”, explicou.
Além do fator principal, que é a vida dos pacientes, a suspensão de procedimentos tem inviabilizado muitos hospitais, já que o custo para se manter a unidade e os leitos funcionando é alto. “Esse déficit financeiro certamente vai repercutir nas instituições de saúde”, reforça.
SEGURANÇA
Para o vice-presidente do hospital filantrópico, Sinésio Alvarenga, mesmo com a pandemia, é possível manter o atendimento dos pacientes eletivos.
“O maior exemplo é a maternidade da Santa Casa, que não parou, e funcionando com o maior cuidado possível com os pacientes e colaboradores, não tendo casos de Covid-19. A pandemia não seria um empecilho, é possível realizar essas cirurgias independente da ocupação pela Covid-19.”
Ele explica que, atualmente, a Santa Casa está com uma média de 130 leitos parados, podendo receber pacientes eletivos.
“É claro que há alguns casos que o paciente terá que ficar no hospital por mais alguns dias, mas a maioria dessas cirurgias demandam pouco tempo do paciente dentro do hospital. Vamos supor que os casos de Covid-19 aumentem na cidade, sendo necessário que esses leitos disponíveis fossem ocupados, em 24 ou 48 horas nós conseguiríamos esvaziar todos esses leitos e ofertar as vagas para pacientes de Covid-19. Mas, felizmente não é a situação, e os leitos que estão parados poderiam estar sendo utilizados, diminuindo assim a demanda por vagas em UTIs e poupando vidas”, finaliza.



