
Plantei uma árvore com as raízes para cima;
seus frutos ficaram enterrados no chão.
Procurei, com inovação, fugir da rotina
fazendo desta atitude uma bela atração.
Mas toda caminhada tem seus limites.
Perdi totalmente o senso da razão
e, por isso, ninguém aceitou meu convite
para inverter o sentido da criação.
Quero deixar meu singelo legado,
mesmo que erroneamente semeado:
o fruto apodrecendo onde foi plantado.
Por que enterrar minha bizarra ação
como algo inútil e estranhamente vulgar?
Até com o insano se aprende a acertar.
(*) Jorge Manoel é jornalista e poeta nas horas vagas
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