
A vida escapa em silêncio nas veias,
como água suja escorrendo das mãos.
Cada hora sepulta desejos e sonhos,
e o tempo mastiga as artérias do coração.
A juventude abandona os espelhos,
deixa nos olhos um frio sem nome.
A esperança alimentada pelo homem
cresce faminta e regressa em fome.
O mundo oferece clarões passageiros:
um breve afago, um perfume no ar.
Mas logo a noite recolhe as migalhas,
e o riso mais vivo começa a apagar.
Restam o sono, o silêncio e a cinza,
última sombra depois da ilusão.
Pois viver é cair lentamente no escuro,
até que a morte desate a prisão.
(*) Jorge Manoel é jornalista e poeta nas horas vagas
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