
A Igreja Católica no Brasil celebra liturgicamente o mês de agosto com a temática das vocações e na perspectiva do mês vocacional, vivenciamos a 54ª Semana Vocacional em sintonia com o 3º Ano Vocacional da Igreja no Brasil. Com o tema: “Vocação é Graça” e a passagem bíblica do evangelista São Marcos serão norteadas as reflexões sobre o chamado de cada um de nós: “Jesus chamou e enviou os que Ele mesmo quis” (Mc 3,13-19).
A vocação é o chamado que Deus faz a cada homem e a cada mulher, convidando-os a seguir um caminho específico de serviço e dedicação em suas vidas. Durante este mês, a cada domingo a Celebração Litúrgica é dedicada a uma vocação específica, destacando a diversidade dos dons de Deus que se manifestam na vida sacerdotal, matrimonial, religiosa e leiga.
A Igreja convida a todos e a todas a rezar pelas vocações dos jovens, especialmente daqueles que consagram suas vidas inteiramente a Deus, ressaltando que o chamado à vocação é um convite do Senhor. Toda vocação é um chamado e um dom de Deus. Quando alguém escuta Deus chamando para segui-lo mais de perto, faz se necessário aprofundar esse chamado por meio da oração e do diálogo. O “sim” só será verdadeiro se for confirmado por meio da oração e sustentado pelo Espírito Santo. Como ouvir a voz de Jesus se vivermos centrados em nós mesmos?
No mundo atual tem sido desafiador para os jovens assumirem um compromisso com a igreja, pois se encontram envolvidos com outros atrativos e prioridades, deixando Deus em segundo lugar. É missão da família e da comunidade educar os jovens para uma vida cristã. A família exerce a função central na vida dos jovens; é a base de formação da identidade, dos valores e da vocação. Nesse sentido, cabe à família proporcionar ambiente favorável que possibilite aos jovens ouvir a voz de Deus. “A primeira catequese se realiza em casa” e quando se tem um lar fundamentado no amor de Deus, o processo da descoberta da vocação acontece de forma natural e no momento certo na vida de cada um.
A família é uma das mais belas vocações, pois é dela que nascem as demais vocações, sacerdotais, religiosas, leigas e seculares. A Igreja enfatiza a importância da família na formação dos jovens, como afirma o Papa Francisco: “a Igreja está convosco; antes, a Igreja está em vós! Com efeito, a Igreja nasceu de uma família, a família de Nazaré, e é composta principalmente por famílias. Que o Senhor vos ajude cada dia a permanecer na unidade, na paz e na alegria, mostrando a todos que Deus é amor e comunhão de vida”.
O Papa Francisco destaca que Deus ama os jovens, mas isso não significa que os preservem de todos os riscos, desafios e sofrimentos que os circundam na terra. Deus não é ansioso, nem superprotetor; pelo contrário, tem confiança neles e chama cada um à sua missão. A Sagrada Escritura apresenta o pequeno Samuel, o adolescente Davi, o jovem Jeremias, a jovem Virgem Maria e tantos outros jovens que foram verdadeiros testemunhas da graça de Deus e só lembrando que por meio da jovem Maria de Nazaré nasceu Jesus que veio trazer a salvação ao mundo.
A Palavra de Deus mostra que o caminho não é preservar os jovens do menor incômodo e sofrimento, mas procurar transmitir-lhes a paixão pela vida, acendendo neles o desejo de encontrar a sua vocação e abraçar a missão que Deus pensou para eles. É precisamente esta descoberta que torna Eliseu corajoso, determinado, que o torna adulto.
O afastamento dos pais e a morte dos bois são o sinal concreto de que Eliseu compreendeu que agora “era a vez dele”, que era hora de acolher a vocação de Deus e levar adiante aquilo que viu o seu mestre fazer. “E fá-lo-á com coragem até ao fim da sua vida” 1Reis 19,19-21. É preciso coragem para escolher seguir Jesus: “Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens. Eles imediatamente deixaram as redes e O seguiram” (Mateus 4,19-20). Deus sempre tem um convite a nos fazer; é preciso saber ouvir o seu chamado, pois a fé vem pela escuta. “Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz” (Jo 8:47).
O primeiro passo para ouvir o chamado de Deus, é calar as outras vozes, isto é, silenciar. É preciso ter o momento de deserto, calar a voz, alma e mente, para que se possa ouvir a voz do Senhor. Deus não chama no meio da tempestade, Ele fala no silencio da alma. A sagrada escritura nos relata momentos em que homens e mulheres ouviram o chamado de Deus no silêncio: “Então veio o Senhor, e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve.” A posição do servo de Deus diante do Senhor deve ser como a de Samuel: “Fala, porque o teu servo ouve!” (1 Samuel 3;10).
O Profeta Elias viveu um dos momentos mais difíceis da sua vida em uma caverna enquanto fugia de Jezabel (Rainha de Israel, adoradora do deus Baal e que perseguia os profetas de Deus). Elias buscou ao Senhor e lamentou-se com Ele diversas vezes, mas o Senhor só falou com Ele, quando tudo passou e Ele estava em silêncio. (1Rs 19). A palavra de Deus nos ensina que a resposta da oração é ter tempo para ouvi-lo no silêncio e reconhecer a sua voz. Que neste mês Litúrgico Vocacional, todos possam rezar e ouvir o chamado que Deus faz a cada um dos seus filhos e filhas.
(*) Eliene Paulina, coordenadora da Pascom Diocesana – Diocese de Rondonópolis-Guiratinga



