Como não gritar com os filhos? Essa é a pergunta de muita gente – e nossa, profissionais da Educação Infantil, também!
Somos humanos, afinal, e nossa natureza nos faz errar muitas vezes.
Não é necessário gritar ou ‘explodir’ para dizer não para uma criança. O grito parece resolver um problema, mas é um grande equívoco; e, com isso, a gente perde todo o respeito.
A educação das crianças não tem nada a ver com a imposição e, principalmente, com os gritos. Na verdade, os gritos podem causar danos significativos no cérebro infantil. Você pode formatar o disco rígido do seu computador, mas não é nada fácil apagar os danos registrados na mente do seu filho.
Educar gritando não traz nenhum benefício para as crianças, e por trás de muitos desses gritos está a impotência dos pais para transmitirem a informação que desejam.
Conforme demonstram alguns estudos mundo afora, gritos são uma liberação de energia e não conseguem transmitir – de maneira minimamente satisfatória – a mensagem que os pais desejam impor para as crianças.
Aliás, esses gritos, notadamente quando são emitidos regularmente, afetam o cérebro da criança e acarretam uma série de riscos para o seu desenvolvimento psicológico.
Ou seja, as pessoas que optam por gritar, com o objetivo de direcionar ou repreender, estão aumentando o risco do qual falamos anteriormente. Consequentemente, por causa dos gritos as crianças tendem naturalmente e espontaneamente a desenvolver comportamentos agressivos e/ou defensivos.
Sempre que você tiver vontade de gritar com seus filhos, que tal conversar com eles num mesmo nível de voz e, calmamente, apresentar suas preocupações e esclarecer as coisas em termos claros e apropriados para a idade dos mesmos? Comunicar de uma maneira não-ameaçadora é muito mais efetivo e racional para “cortar pela raiz” os problemas de comportamento do seu filho sem causar quaisquer danos às relações.
Sabemos que o grito não educa, e, por mais que traga uma obediência imediata, não promove mudanças significativas e duradouras de comportamento.
Lembre-se: a criança normalmente está distraída, brincando; então, você precisa fazer com que ela preste atenção em você. Para isso, peça para que ela te olhe, olhe nos olhos, toque carinhosamente, e tenha certeza de que ela está te ouvindo.
O único sentimento ao qual não podemos dar vazão é a ira. Ela é tóxica, contamina o ambiente e faz mal para todo mundo. Quando sentir muita raiva, saia de casa, vá para um canto, grite num travesseiro, mas não deixe que ela extravase em forma de gritos ou agressões a quem você ama.
Está em nossas mãos, como adultos responsáveis, encontrar soluções alternativas e inteligentes para educar corretamente sem causar danos ao cérebro das nossas crianças.
Nunca é tarde demais para fazer uma mudança no seu comportamento como pais e/ou responsáveis. Amar é uma arte, e aprendemos esta arte a cada dia. E, como diz um antigo ditado: “amamos aqueles a quem servimos e servimos àqueles a quem amamos”.
Existir, ser, perceber-se, cuidar de si mesmo para cuidar dos nossos filhos faz toda a diferença nessa jornada de educação. Afinal somos todos, crianças e adultos, eternos aprendizes.
O amor dos pais é o resultado do trabalho sobre as emoções, é um chamado para assumir a responsabilidade pela vida que é única e especial e, portanto, o verdadeiro e duradouro amor não se manifesta por gritos.
(*) Clarice Rodrigues Santana, Débora Aparecida Santos França, Kédma Macêdo Mendonça e Sibele Silva Leal Rodrigues são pedagogas, professoras da rede municipal em Rondonópolis-MT.



