Há 9 anos o céu recebeu uma estrelinha a mais. Nesses anos passei por vários acontecimentos: terminei meus estudos, me encontrei profissionalmente, amadureci, passei em uma universidade federal, mudei de cidade, mas em cada novo passo senti a falta de tê-la ao meu lado e sempre imaginava como seria a sua reação ao ver que eu estava crescendo.
Nesses 11 anos de convivência que tive com a senhora, aprendi lições que levarei para minha vida inteira, ensinamentos que quando preciso tomar uma decisão difícil me fazem refletir para que eu faça a melhor escolha. A senhora sempre me dizia que sempre se orgulhava de mim, mesmo tão pequena e muitas vezes não entendendo muito da vida, e hoje eu me questiono: será que a senhora estaria orgulhosa de mim? Será que me apoiaria? Será que eu teria escolhido a minha segunda opção para poder ficar mais próxima e cuidar melhor de ti? Os meus dias são corridos, passo o dia inteiro estudando, mas as suas lembranças na minha mente são constantes e a saudade também.
Há uns dias encontrei um texto escrito pela psicóloga Viviane Battistela, intitulado “A saudade de quem já morreu” que me chamou muita atenção. Em um parágrafo ela citou: “Quem sente sabe, a saudade é presença. A saudade permanece. (…) Saudade não morre. Saudade maior é de quem já se foi. Mesmo nos que nutrem a fé no reencontro, é visível a dor de ter que seguir longe de quem se queria por perto.” Essa é a definição mais próxima do que sinto quando me lembro da senhora, dos momentos em que passamos juntas.
Logo após a sua partida busquei um caminho no qual a senhora sempre nos orientou, comecei a frequentar a igreja e servir a Deus. A cada novo servir eu imagino a felicidade e o orgulho em que teria de me ver ali, colocando em prática o aprendizado que sempre me foi passado. A cada ano que se passa a saudade aumenta muito mais e o nosso amor pela senhora também.
Saudades eternas, minha Vó Isaura!!!
(*) Mariana Carvalho de Vasconcelos, 20 anos, graduanda em Engenharia Química pela UFMT e bisneta de Dona Isaura.



