A mordida sem dúvida é uma das maiores preocupações quando se trata de crianças de 0 a 3 anos, os pais e professores se preparam para um longo processo de descobertas que a criança passará, pois nessa fase, ela utilizará a boca para experimentar gostos e texturas e, também, para expressar sentimentos de insatisfação, ciúmes ou mesmo brincadeiras. Antes de qualquer coisa como professora sabemos que a maioria das crianças passam por essa temida fase, mas e então, como trabalhar com a criança que morde? E o que fazer com a criança que foi mordida? Bem, essa não é uma pergunta fácil de responder, pois não é algo tão simples de resolver. Como dito anteriormente, a criança em sua fase oral demonstra suas insatisfações e frustações mordendo.
Sendo assim, o primeiro passo, seja em casa ou na escola, é avaliar qual o contexto que as mordidas estão acontecendo. Geralmente serão em momentos estressantes ou demasiadamente prazerosos para a criança, desta forma não devemos taxar a criança como aquele que sempre morde e em casos escolares não citar nomes ao contar aos pais, pois isso não irá resolver. O que precisamos fazer é conversar com os pais sobre o ocorrido, orientá-los a dialogarem com a criança em casa sobre o assunto, apontando os efeitos negativos da mordida para quem a recebe, mostrando que existem outras formas de resolver conflitos, se este for o caso. Se por ventura, a mordida for uma forma de brincadeira em casa, os pais devem explicar a criança que essa brincadeira é apenas entre eles.
Na escola, ao perceber a criança mordendo, devemos demonstrar como é doloroso para o colega que recebeu essa mordida e que não foi algo que ele gostou, pelo contrário o machucou e o deixou triste, assim, a criança passa a ver que está causando sofrimento ao colega. A criança embora pequena deve ser incentivada a pedir desculpas, mesmo que da forma que sua idade lhe permita, visto que, é uma maneira dela perceber que aquele jeito de se expressar não está agradando. Além disso, se houve um ato de morder durante disputas por brinquedos ou por espaços, momentos esses que mais frequentemente ocorre a mordida, a criança não pode ser recompensada pelo que fez, ou seja, se estava mordendo por causa do carrinho ela não pode ganhar o carrinho naquele momento. Ademais, a professora deve estar atenta a oferta de brinquedos em quantidade adequada para que essas situações se tornem escassas.
Devemos salientar que, mesmo não havendo receita pronta para estes acontecimentos devemos diversificar os espaços, os brinquedos e as atividades desta criança para que ela se ocupe de algo muito mais prazeroso. Para mais, as atividades pedagógicas podem ser voltadas aos aspectos emocionais e a reações de interações interpessoais para que a forma de expressão seja modificada.
Assim, compreendendo tudo isso, só tem uma coisa a se dizer! Essa fase passa, mesmo que pareça que não terá fim. Com muito diálogo, amor, carinho e paciência, a criança passará a aprender a se expressar de outras formas.
(*) Jéssica Lorrayne Ananias da Silva, Júlia Alessandra Machado de Castro e Suellen Dayane Ribeiro professoras na rede municipal de Rondonópolis



