Já teve época que ter um bom QI era pejorativo profissionalmente e noutra, sinônimo de status. O primeiro no sentido de “Quem Indica” nos remetia a ideia de incompetência camuflada por apadrinhamento, e no segundo, por elevada inteligência, se sobrepondo aos demais.
Hoje, o Quociente de Inteligência – QI continua valendo e em uso moderado, mas bastante questionado como método de avaliação de inteligência pessoal. Já o “Quem Indica”, nunca esteve tão importante e necessário como agora. Não mais no sentido de farsa profissional, mas no magnetismo de network e sua infinita capacidade de influenciar o destino das pessoas.
De pronto, a ideia em questão é a importância que a rede de contatos possui para sustentar nossa existência, tornando-a mais fácil ou mais laboriosa dependendo exatamente dessa habilidade de criar vínculos.
De modo simples, uma network é uma corrente de conexões que se cruzam, normalmente em intervalos regulares (mas não apenas), envolvendo contatos e relacionamentos que podem ajudá-lo a alcançar seus objetivos profissionais e pessoais.
Interessante que nossa rede de contatos é construída dia a dia, por isso não se restringe a ideia de que a relação com essas pessoas deva ser regular. Cada um de nós, por exemplo, tem pessoas que fatalmente influenciariam a seu favor, mas que foram colegas há algum tempo (no trabalho ou na escola), ou mesmo de seus pais. Quando reativada, poderá trabalhar a seu favor.
Em resumo, embora já exista inclusive uma disciplina a ser aplicada ao caso (marketing pessoal e redes de relacionamento), genuinamente não diz respeito a prospectar pessoas influentes, de modo a se beneficiar explicitamente. Essa é exatamente a versão perversa do QI, quando utilizada sobrepondo competências.
Na prática, o que sustenta uma boa network diz respeito a confiança, distinção, relacionamento, comunicação e reciprocidade. Ninguém vai indicar alguém ou fazer chegar uma informação importante a você se não tiver algumas dessas questões preexistentes e que unam os laços.
São inúmeros os benefícios de uma network bem estruturada. Quem nunca se sentiu aliviado, esperançoso ou se beneficiou, facilitando o acesso, por conhecer alguém em algum lugar?
É importante não confundir com aqueles que somente se utilizam disso para conseguirem vantagens. Esses normalmente se manterão alienados e fantoches nas mãos dos manipuladores de plantão para se manterem onde estão. A política, por exemplo, está cheio desses casos e o mundo corporativo ainda mantém alguns.
Há farta pesquisa nos informando da importância da network. No campo do trabalho, por exemplo, em torno de 50 a 60% dos profissionais são recolocados em função de seu QI, o do relacionamento. O próprio sucesso das redes sociais é um exemplo da preocupação (ou não, quando mal utilizadas) das pessoas em manterem seus relacionamentos ativos e de construir novos, capazes de auxiliá-los no dia-dia.
Como dito anteriormente, é óbvio que bons QIs, por si só, não são o suficiente para alavancar a carreira de ninguém. É necessário cada vez mais capacidade para demonstrar e entregar o que se promete.
A própria network se mantém e é alimentada pelas suas competências e habilidades demonstradas ao longo de sua vida, desde a acadêmica até a profissional, passando pelo ambiente informal, como o familiar ou de convívio, no coletivo.
Como estamos cada vez mais expostos, tornando explícitas as nossas práticas comportamentais mais variadas, patrocinado pelos meios de comunicação, nossa network pode ser turbinada ou implodida rapidamente.
Acima de tudo, a sua network será genuinamente fortalecida pela sua capacidade pessoal e profissional de ser admirado por algo. Pode ser sua capacidade técnica, sua retidão com as questões ambíguas, a confiança nos seus posicionamentos, dentre outros.
Por isso, é coerente que cada um preste atenção aos seus QIs, por que eles estão aí, em todos os lados, mesmo que você não os veja. Entenda que você sempre está sendo observado e pode gerar um QI a qualquer momento, para o bem ou para o mal. Ter uma boa imagem também pode torna-lo mais ou menos valioso no mercado.
Boa semana de Gestão & Negócios.
(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor do IBG, workshopper e palestrante – [email protected]



