Falar de amor do Deus que é amor, é falar do seu coração. Aquilo que conseguimos falar de Deus, muitas vezes, falamos por analogia aos atributos que são próprios do nosso ser. O coração, na linguagem poética, é o símbolo do amor. Na experiência de fé, o rosto do Pai, também revela seu coração. No Evangelho segundo São João, Jesus afirma: “Eu e o Pai somos um”. Isto é, estar em unidade, estar em profunda comunhão de amor.
Na sua forma atual, a devoção popular ao Sagrado Coração de Jesus possui quatro séculos de experiência. Porém, desde a primeira geração de cristãos, reconhecem o amor incondicional para com a humanidade que brotou do sagrado coração de Jesus. São João Evangelista a descreve em seu Evangelho quando o soldado romano atravessou o lado aberto de Jesus. É uma preciosa herança que, através dos tempos, vem inspirando o povo de Deus desde os mais humildes, como também papas, místicos, congregações religiosas, associações de leigos/as e movimentos laical como o Apostolado da Oração. Na contemplação do Sagrado Coração de Jesus se formaram os santos e santas de todos os tempos, como: São Francisco de Assis, São Francisco de Sales, Santa Rita, Santa Teresinha do Menino Jesus e tantos outros.
A devoção popular ao Sagrado Coração de Jesus iniciou com uma jovem chamada Margarida Maria, natural da França do ano de 1647. Perdeu o pai aos seis anos de. Amável, alegre e cristã fervorosa era amiga das crianças pobres a quem ajudava e catequizava. Costumava visitar os doentes. Desejando ser religiosa, foi um dia ao convento e ouviu a frase misteriosa de Deus: “É aqui que eu desejo você”. Margarida tornou-se religiosa levando uma vida penitente e de muita oração. A 27 de dezembro de 1673, festa de São João, Margarida teve a primeira revelação do Sagrado Coração de Jesus que falou à ela: “Meu coração divino está inflamado de amor pelos homens e por ti! Preciso difundir as chamas do meu amor para enriquecer a todos com os preciosos tesouros do meu coração! Eu te escolhi para realizar este grande projeto”!
Muitas das atuais práticas da espiritualidade do Sagrado Coração devem-se às experiências de Santa Margarida Maria:
– Festa do Sagrado Coração de Jesus.
– A Hora Santa e a Comunhão Reparadora das nove primeiras sextas-feiras do mês.
– A entronização da imagem do Sagrado Coração nos lares.
– A representação e imagens do Sagrado Coração de Jesus, como conhecemos hoje.
Na experiência de fé, evangelização e missão dos primeiros missionários nas terras que hoje correspondem à Diocese de Rondonópolis, o culto ao Sagrado Coração de Jesus indica a experiência de fé dos missionários franciscanos. Experiência feita com o coração que nos faz lembrar o refrão cantado por Padre Zezinho, SCJ: “No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus”. De Coração pra coração, a mensagem evangélica também “transfigurou” a realidade, que, de um lugar abandonado, como era a região da Prelazia, tornou-se um lugar habitado e consagrado ao Coração de Jesus. Desde 1950, Dom Vunibaldo Talleur, OFM, construiu um pequeno Tempo de tijolos, destinado ao culto do Sagrado Coração de Jesus. Em 1959 esta igreja se tornaria a paróquia Sagrado Coração de Jesus.
Rondonópolis tornara-se o foco e o centro de irradiação pastoral. Mas, certamente o mais importante não foi o crescimento externo desta terra de missão, como atesta o historiador frei Pedro Knob, OFM: “o mais importante foi certamente o seu crescimento interno, aquilo que aconteceu no íntimo das pessoas, só conhecido por Deus”.
No entanto, não foram poucas as dificuldades encontradas pelos primeiros missionários. O povo que por aqui se encontrava não sabia nada das verdades da fé, dos sacramentos, da missa e muito menos da confissão. Devido a imensidade do sertão e o extenso pantanal, os franciscanos viajavam a maior parte do ano para a desobriga. A viagem era feita em cima do lombo do cavalo, ou mula, ou então, de canoa ou barco. Durante o longo percurso, os missionários ficavam sujeitos e expostos aos perigos do tempo, dos animais selvagens e insetos, além da fome e sede. Mas eram bem acolhidos nos sítios, pela simplicidade e alegria dos moradores. Esta era a oportunidade para aprender o catecismo, rezar a missa e receber os sacramentos.
Todas as ações missionárias dos primeiros religiosos e religiosas em nossa Diocese nos revelam a grandeza do Coração de Jesus e o Amor do Pai que os sustentaram nesta missão. Grandeza esta que hoje se faz acessível na pequena fração do Pão para, assim, caber em nosso coração e podermos continuar a missão que Deus nos confiou.
O jubileu de 25 anos da Diocese de Rondonópolis, que será celebrado no dia 10 de julho deste ano, desde já, é uma grande alegria de brota do nosso coração por tantas dádivas e bênçãos manifestadas pelo nosso Bom Deus nestas terras de missão. Como não poderia ser diferente, no dia do patrono, 01/07, a alegria do nosso coração voltará ao Coração de Deus em forma de celebração na Solene Ação de Graças que foi presidida ontem pelo nosso Bispo, Dom Juventino Kestering, na paróquia Sagrado Coração de Jesus.
Neste jubileu da nossa diocese, em que fazemos memória a todos os missionários, religiosos e religiosas que nos revelaram o rosto do Pai e o Coração de Jesus, rezemos com fé e disposição a jaculatória: Coração de Jesus que tanto nos amais, fazeis que vos amenos cada vez mais.
(*) Frei Fernando dos Reis Moura, OFM; e Maria de Fátima Moreira Líbano (secretária paroquial) Paróquia Sagrado Coração de Jesus



