O mundo vem em crescentes transformações, as pessoas cada vez mais ocupadas, preocupadas com o tempo e com seus inúmeros afazeres. As responsabilidades laborais e domésticas, que vem roubando a atenção dos adultos, em especial aos que são líderes de família, fato esse que tem contribuído substancialmente no repensar de inúmeras famílias no que diz respeito ao número de filhos. Aspecto esse puramente justificável pela diminuição progressiva da taxa de natalidade brasileira e aumento significativo do número de idosos, características essas observáveis nos países considerados desenvolvidos.
A responsabilidade e o compromisso de conduzir da melhor maneira o cuidado e a formação dos filhos tem sido constante preocupação dos pais, várias têm sido as tentativas dos genitores em ofertar subsídios objetivando o desenvolvimento cognitivo das nossas crianças, em especial os subsídios tecnológicos, sendo inserido na vida da criança cada vez mais precocemente.
Muitos pensam estar contribuindo, efetivamente, com o desenvolvimento físico e cognitivo de seus filhos, doce ilusão!
A inserção dos computadores como equipamento presente na vida da criança tem sido até certo ponto positiva, pois atribui ao infante a habilidade de comandar parcialmente uma máquina, além de possibilitar o acesso a informações de forma rápida e instantânea sobre qualquer localidade no Brasil e no mundo.
Contudo, esse tipo de tecnologia tem sido utilizada, coerentemente, pelas nossas crianças? Elas possuem um discernimento de utilizar de forma adequada, que eleve ao seu desenvolvimento cognitivo e físico, como nós adultos o fazemos?
Infelizmente, esse discernimento as crianças ainda não possuem e assim devendo ser supervisionado, constantemente, o uso dessas tecnologias pelos adultos, para garantir a utilização adequada.
As telas luminosas, imagens cheias de cores, informações rápidas e resumidas, são características que atraem a atenção de grande parte dos seres humanos, em especial às crianças, que assim como os adultos, se deslumbram com as facilidades proporcionadas por apenas um clique.
Assim ficando de lado um hábito considerado antigo e por muitos até arcaico, a leitura. Se pararmos para analisar friamente, as crianças não se prendem à figura de um livro e muito menos as histórias contidas nele, visto que já podemos encontrar as sinopses dispostas em sites, ofertando de forma resumida o conteúdo das obras.
No entanto, o prazer pela leitura, o desenvolvimento da compreensão e interpretação textual, a viagem pelas páginas envolventes da história e a busca pela beleza de algo imaginário, têm sido fatores muito distantes da realidade infantil atual, o que reflete, negativamente, na fase adulta do indivíduo.
Assim encontramos hoje adultos totalmente alheios ao hábito de ler, com dificuldades imensas na compreensão e na interpretação de textos, além do uso em demasia de termos de senso comum adaptáveis ao nosso vocabulário, caracterizando a pobreza de discurso falado e escrito, características essas cada vez mais comuns aos nossos jovens que ingressam na educação superior.
Com este, não objetivamos a crítica insana às tecnologias ofertadas na atualidade, acreditamos que as mesmas vieram para auxiliar o homem de forma substancial, porém fica a advertência aos pais com relação ao mau uso da mesma. Além da sugestão pela estimulação de seus filhos à leitura, proporcionando as estes um convite ao abstrato e divertido mundo da imaginação real, em detrimento ao da imaginação virtual.
(*) Patrícia Silva de Medeiros é graduanda em Enfermagem pela UFMT – Campus Sinop.
(*) Suellen Rodrigues de Oliveira é mestranda. Professora do Instituto de Ciências da Saúde da UFMT – Campus Sinop



