
Há pessoas
que escrevem poemas.
Outras,
sem perceber,
escrevem a própria existência.
Não é a beleza das palavras
que eterniza um poeta.
É a delicadeza
com que atravessa a vida.
Cada escolha,
cada renúncia,
cada lágrima escondida,
cada sorriso oferecido
quando o coração também precisava dele,
vai compondo
um poema invisível.
A alma
não conhece gramática.
Ela escreve
com gestos,
com abraços,
com perdão,
com silêncio,
com amor.
E talvez seja esse
o maior mistério da poesia:
ela nunca esteve
apenas nos livros.
Sempre morou
naqueles que transformam
as dores em compaixão,
as quedas em aprendizado
e o tempo
em gratidão.
No fim,
o vento levará as folhas,
a tinta desaparecerá
e os nomes,
um dia,
serão apenas lembrança.
Mas quem viveu
com verdade,
quem escreveu
cada dia
com a própria alma,
não deixará apenas poemas.
Deixará uma presença
que continuará tocando corações,
mesmo quando sua voz
já tiver se tornado silêncio.
Porque quem escreve
a vida com a alma
não apenas faz poesia.
Torna-se,
com a simplicidade de quem amou,
a própria obra.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
.



