
A natureza nunca teve pressa
de fabricar cópias.
Quando criou as zebras,
poderia ter repetido
o mesmo desenho
em cada uma delas.
Seria mais fácil.
Mas preferiu o caminho
da singularidade.
Nenhuma listra
é exatamente igual à outra.
E, ainda assim,
todas continuam sendo zebras.
Nenhuma precisa imitar a outra
para provar quem é.
Talvez essa seja
uma das mais belas lições
que a vida insiste em nos oferecer.
Não fomos feitos
para sermos moldes.
Fomos feitos
para sermos encontros.
Cada pessoa carrega
marcas invisíveis,
histórias silenciosas,
cicatrizes que ensinaram,
sonhos que resistiram
e esperanças
que ninguém vê.
É isso
que desenha nossas listras.
O triste
é que passamos tanto tempo
tentando apagar
o que nos torna únicos,
como se a diferença
fosse um defeito
e não um presente.
A natureza nunca pensou assim.
Ela espalhou beleza
na diversidade,
harmonia
naquilo que nunca se repete.
As zebras nos lembram,
sem dizer uma única palavra,
que identidade
não nasce da semelhança.
Nasce da autenticidade.
Porque o valor de uma vida
não está em parecer com as outras.
Está na coragem
de carregar,
com humildade e dignidade,
as listras que só ela recebeu.
E talvez seja justamente isso
que torne o mundo tão bonito:
Deus nunca escreveu
a mesma história duas vezes.
E, mesmo diferentes,
todos continuamos pertencendo
à mesma criação.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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