
Como diz a poesia:
Falo pelos que não falam.
Grito pelas bocas mudas.
Empresto palavras
aos silêncios
que carregam o peso do mundo.
Sou carta sem destinatário,
mas sempre encontro alguém
que precisava me ler.
Às vezes,
chego como abraço.
Outras,
como espelho.
Há dias em que viro riso,
porque a vida também precisa
de cócegas na alma.
Em outros,
sou lágrima educada,
dessas que descem devagar
para não fazer barulho.
A poesia tem esse costume:
entra pela porta dos olhos
e vai arrumar a bagunça
que mora no coração.
Não resolve todos os problemas,
é verdade.
Mas acende uma lanterna
onde antes havia sombra.
E quando ninguém encontra coragem
para dizer o que sente,
ela se levanta,
limpa a garganta
e fala por todos nós.
Porque há verdades
que a razão explica,
mas só a poesia
consegue fazer sentir.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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