Travessia errante

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(*) Jorge Manoel

Qual pálida árvore, de raiz apodrecida,
assim seguiu minha existência errante;
cresci sob o rigor do vendaval constante
e fui lançado aos precipícios da vida.

Numa bifurcação escurecida,
perdi o rumo, cego e delirante;
da veloz ilusão embriagante
restou a freada brusca da descida.

Do ápice em que soberbo reinava,
caí ao fundo do abismo da ilusão,
onde a sombra de mim me aprisionava.

Ao despertar do recôndito sombrio,
compreendi, enfim, o que me faltava:
insuflar alento ao coração doentio.

(*) Jorge Manoel é jornalista e poeta nas horas vagas

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