O amor adormecido

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(*) Jorge Manoel

Onde foi enterrada a semente do amor?
E a Mãe Terra, calada, não responde.
Só se vê um chão rachado sob o calor,
onde até o vento passa e se esconde.

Quisera eu caminhar por esses terrenos
e ver brotar o que estava adormecido.
Mas crescem, entre as pedras, serenos,
galhos secos de um amor esquecido.

Hoje tudo parece um desenho apagado,
rabisco leve que o tempo não sustentou.
Mas há sempre um horizonte atravessado
por uma luz que insiste e não se apagou.

Então não abandones o ato de semear:
mesmo a terra dura aprende a florescer,
e o que hoje parece apenas esperar
amanhã pode, enfim, renascer.

(*) Jorge Manoel é jornalista e poeta nas horas vagas

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