
Há um professor em cada manhã
que desperta antes do sol,
mas já acorda com o cansaço
de quem nunca chegou a recarregar.
Na tela da vida, ele surge ativo,
planilhas, aulas, mensagens, chamadas…
mas por dentro, um aviso discreto insiste:
“Carregando… (sem bateria)”
Ele ensina que o mundo é feito de sonhos,
mesmo quando o próprio sonho
anda em modo de economia de energia.
Sorri no quadro, explica com calma,
enquanto o corpo pede pausa
e a alma pede silêncio.
Entre um conteúdo e outro,
há sempre uma notificação da vida:
mais uma tarefa, mais um prazo,
mais uma urgência disfarçada de normalidade.
E ainda assim, ele insiste.
Não por heroísmo vazio,
mas por uma teimosia bonita
de quem acredita que ensinar
é também acender luzes nos outros
mesmo quando a própria está piscando.
Mas chega a noite…
e a tela interna escurece.
Nenhum carregador resolve
o que é falta de descanso, de cuidado, de escuta.
E talvez seja preciso entender:
professor não é dispositivo.
Não deveria viver em alerta constante,
nem funcionar no improviso da exaustão.
Porque até a esperança,
quando não recarrega,
aprende a desligar sozinha.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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